A inclusão profissional do público LGBT: um processo onde todos ganham!

Por Guilherme Bara

Fomentar a diversidade no ambiente de trabalho é, e sempre foi, um grande diferencial competitivo para as empresas. Embora a presença de profissionais com diferentes perfis e experiências seja visto como crucial para compreender melhor as novas demandas de mercado, ainda é um desafio propiciar um ambiente inclusivo, principalmente quando se trata do público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).

Nos últimos anos, as empresas multinacionais têm assumindo um papel de vanguarda nesse debate e as discussões sobre o tema têm aumentado, porém medidas práticas ainda esbarram em tabus e preconceitos. Muito se fala que o processo de inclusão seria bastante acelerado se se os colaboradores LGBT assumissem sua orientação sexual no ambiente de trabalho, contudo em boa parte das vezes esse comportamento não acontece em virtude do ambiente hostil que elas encontram nas organizações.

Atentas a esse cenário, grandes empresas como BASF, Carrefour, IBM, P&G, Whirlpool, entre outras, promovem o Fórum de Empresas e Direitos LGBT, que tem como objetivo criar condições e assegurar políticas e práticas para incluir com qualidade a população LGBT no mercado de trabalho brasileiro. Entre essas iniciativas, está a promoção de uma carta pela qual as companhias aderem a “Dez Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos Humanos LGBT”, que vão desde o engajamento da alta liderança, passam pela construção de um ambiente respeitoso e abrangem a comunicação adequada em relação a este público.

A efetividade dessas ações depende de iniciativas concretas dentro das organizações. É fundamental investir na capacitação de gestores, áreas jurídicas e equipes de recrutamento, a fim de desmistificar tabus e eliminar barreiras presentes nos diferentes processos de uma corporação. Criar uma rede de embaixadores – um grupo de colaboradores com diferentes perfis, que apoiam a causa – também ajuda a formar uma massa crítica no ambiente de trabalho, contribuindo significativamente para ampliar o debate e melhorar a qualidade das relações. Outro ponto essencial é manter uma comunicação regular com os times, por meio de campanhas internas que promovam o respeito e a valorização das individualidades.

Se houver colaboradores que tenham que deixar “parte deles“ em casa quando forem trabalhar, certamente haverá equipes formadas com pessoas menos engajadas, o que impactará diretamente na produtividade e no sucesso dos negócios. Somente um ambiente que respeita e valoriza a singularidade das pessoas consegue atrair e reter os melhores talentos.

Diversidade e ambiente inclusivo estimulam inovação

por Guilherme Bara

Vivemos em uma sociedade dinâmica, ávida por novidades e mudanças, com empresas cada vez mais especializadas e competitivas em busca constante por inovações que surpreendam o mercado e revolucionem os negócios. Para isso, aumentam-se os investimentos em pesquisas e novas tecnologias, a busca por profissionais mais qualificados e o trabalho de proteção da informação.

Algo que as companhias estão começando a perceber é que a inovação pode surgir a qualquer momento, em qualquer lugar, desde que haja um ambiente propício para a geração de novas ideias.

É neste momento que entra a diversidade e inclusão. Muito se fala sobre a diversidade como uma iniciativa de recursos humanos e de sustentabilidade, como uma ferramenta para proporcionar oportunidades de trabalho para todos. Mas o que pouco se percebe é que um ambiente de trabalho inclusivo contribui diretamente para fomentar a inovação.

Uma equipe homogênea, com perfil similiar, tende a oferecer sempre as mesmas soluções. Já um time formado por pessoas de origem, cultura, idade, formação, experiência e história de vida bem diferentes traz à área um guarda-chuva imenso de oportunidades para discussões produtivas, com pontos de vista e argumentos bastante diversos.

Mas é importante saber que a diversidade não se limita à contratação de profissionais diversificados. Construir um ambiente inclusivo é essencial para que todos se sintam de fato acolhidos e confortáveis em oferecer a melhor performance e participar ativamente de debates e decisões, além de ousar em trazer novas ideias, sem medo do erro ou da censura.

Colaboradores que se deparam com uma gestão pouco aberta, preconceituosa ou conservadora dificilmente se sentirão comprometidos, consequentemente estarão menos motivados e engajados na busca por soluções criativas. Para o desenvolvimento de um cenário favorável à inovação é necessário a construção de um ambiente onde os contrapontos sejam bem-vindos, tanto por parte da liderança como pelos demais membros da equipe. Uma boa prática inclusiva que contribui para inovação é convidar para reuniões de brainstorm colaboradores de áreas alheias ao tema em questão a fim de possibilitar soluções inéditas e “fora da caixa”.

Quando o grupo abre espaço para alguém de fora daquela atividade apresentar sugestões de melhoria, pode ser muito produtivo, pois aquele colaborador terá condições de avaliar o cenário por um ângulo diferente da equipe que já está habituada à rotina da área.

Inovar é sair do lugar comum e, para isso, precisamos ousar na maneira de fazer a gestão de equipes, buscando novos perfis, fugindo fugindo do padrão convencional.

* Guilherme Bara é gerente de Diversidade e Inclusão da Basf para a América do Sul.

Artigo publicado no jornal “Correio da Bahia” em 09 de setembro de 2015

http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/guilherme-bara-diversidade-e-ambiente-inclusivo-estimulam-inovacao/?cHash=dd702a22c1ff2ed3d0b9b2b4084247df

O resgate da representatividade

Por ANDREA MATARAZZO

Está claro que o maior problema de nossa democracia é o distanciamento entre representantes e representados. O atual sistema eleitoral, proporcional e com lista aberta, permite que parlamentares ignorem os que lhe deram o mandato, escapando da fiscalização popular e, em muitos casos, aderindo a práticas nada republicanas, como se vê agora no escândalo do petrolão.

Na prática, temos eleição e não temos representação.

A distância entre os dois lados é tamanha que metade do eleitorado se esquece em quem votou. O eleitor, na prática, deixa de ter representante. E os eleitos, muitas vezes, não representam praticamente ninguém. Eles se encontram apenas a cada quatro anos, em campanhas caríssimas, que alimentam um sistema que já provou ser ineficiente.

Um passo inicial para reaproximar os dois lados é a adoção do voto distrital para vereador em cidades com mais de 200 mil eleitores, conforme projeto de José Serra (PSDB-SP), aprovado no Senado. A proposta prevê que cada partido pode ter apenas um candidato a vereador por distrito eleitoral.

Em 2012, São Paulo teve 1.145 candidatos às 55 vagas de vereador, que disputaram 8,7 milhões de votos, circulando pela cidade toda.

Com a divisão em 55 distritos, a disputa será junto a cerca de 160 mil eleitores. A queda nas despesas e a aproximação de candidatos e cidadãos serão significativas. Além disso, será mais fácil combater o uso da máquina pública e o abuso de poder econômico, já que o atual sistema exige gastos imensos.

Os candidatos poderão ter propostas mais objetivas, com mais tempo para explicá-las, afinal o seu universo de atuação será reduzido. A população será mais bem representada, reforçando a cidadania.

Os candidatos serão pessoas conhecidas no bairro. Celebridades, demagogos ou políticos que nunca militavam na região serão rejeitados. O representante não poderá esquecer a comunidade pela qual foi eleito, sob risco de morte política. Terá de manter contato regular, otimizando os serviços públicos e melhorando a vida no distrito.

A Câmara Municipal de São Paulo já tem forte componente distrital. Muitos vereadores representam regiões, fazendo a única ponte entre os problemas reais e um prefeito que vive encastelado no gabinete por não gostar da cidade.

Com o voto distrital, isso se tornará regra. A administração terá que ouvir os vereadores. E se fará mais presente em todas as regiões, independentemente da capacidade de gestão do prefeito de plantão.

Quem votar, e quiser, terá capacidade de influenciar o mandato do vereador. Para quem não quiser nele votar, a vantagem será conhecer o eleito e fiscalizá-lo de perto, cobrando eficiência e denunciando seus erros. Vencedores e derrotados ajudarão a recuperar a legitimidade da classe política.

Outro ponto também ajudará a retomar essa legitimidade, cuja falta foi uma das causas das recentes manifestações. Atualmente, os votos dos eleitores vão para as coligações, com 3 em cada 4 candidatos sendo eleitos com as sobras dos campeões de votos.

Com a mudança, só aqueles realmente mais votados serão eleitos. Todas as disputas serão majoritárias, devolvendo à democracia o fundamento da representação.

A reforma política é urgente. Pela complexidade do nosso país, é inviável esperar um consenso para uma reforma ampla. É preciso o primeiro passo, com a a adoção do voto distrital nessas cidades, onde vivem 40% dos brasileiros.

O voto distrital aproxima eleitores de eleitos, reduz os custos e dá oportunidade para os políticos prestarem satisfação ao eleitorado. Tudo que os brasileiros pedem.

Artigo do vereador Andrea Matarazzo, publicado hoje no jornal Folha de S. Paulo. (Link do artigo: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/05/1623445-voto-distrital-deve-ser-adotado-nas-eleicoes-de-2016-sim.shtml)

A operária Adriana e o dia da mulher na empresa dos homens

Por Reinaldo Bulgarelli

Adriana foi convidada para o evento do Dia da Mulher. Ficou surpresa porque ela trabalhava na fábrica e essas celebrações eram na sede da empresa. Ainda maravilhada com a novidade, perguntou ao seu colega José Antônio se não iria participar.

Ele disse que o evento era apenas para as mulheres, conforme estava no convite. Ela leu novamente e não falava nada sobre isso, mas ele retrucou mostrando o convite cor-de-rosa que só falava em mulheres. Na porta do ônibus fretado distribuíam rosas vermelhas. Ela concordou com José Antônio.

Lá chegando, mais mimos para as mulheres. Um fornecedor oferecia creme depilatório. O cartão cor-de-rosa dizia algo sobre mulheres e as barreiras que os pelos ofereciam à sua felicidade. Adriana logo lembrou-se de José Antônio. Olhou à sua volta para constatar que havia apenas mulheres no evento, tanto da sede como de todas as outras fábricas da empresa.

Sentadas no chique auditório, todo enfeitado com frases de mulheres famosas, impressas em papel cor-de-rosa e ilustrados com flores, ouviram o presidente da empresa fazer a abertura do evento:

- Estamos aqui para celebrar o que há de mais belo, perfumado e encantador nesta empresa: as mulheres. A beleza de vocês torna nosso dia melhor. Vocês são o enfeite desta empresa!

Ele se retirou em seguida dizendo que iria para uma importante reunião com os executivos da empresa na qual decidiriam questões essenciais para o futuro dos negócios. Adriana cochichou com sua colega:

- Pensei que estivéssemos trabalhando, mas somos só enfeite.

Até o evento é um enfeite porque o homem tem coisas mais importantes pra fazer…

Depois, um grupo de mulheres, todas muito bem vestidas, saltos altos, cheias de joias e cabelos impecáveis, subiu ao palco e uma a uma foi se apresentando. A diretora de RH da empresa festejou o fato da empresa possuir agora três por cento de mulheres depois de cinco anos de esforços. Haviam criado um grupo de mulheres no ano passado e disse também da felicidade com este primeiro evento da empresa no Brasil. Deixou escapar, contudo, que lamentava não estar na reunião que o presidente agendou bem no horário do evento. Ela era a única executiva no grupo de quinze homens. Adriana pensou que a situação era igual à que vivia na fábrica. Era a única mulher em sua área. Havia apenas trinta e seis mulheres operárias em um grupo de mil e duzentos operários.

Foi a vez de uma das advogadas do jurídico da empresa fazer a apresentação sobre o grupo de mulheres. Ela explicou que o grupo pensava em como aumentar o número de mulheres nos cargos executivos. Disse que haviam criado outro grupo para pensar especificamente na questão da maternidade e carreira.

Sobre este assunto, convidaram uma executiva de outra empresa para contar como foi conciliar a carreira com o fato de ser mãe de um filho que, aliás, estudou em Harvard e hoje é presidente de uma grande multinacional. Ela disse que sem a babá que a acompanhou a vida toda não teria conseguido subir na carreira.

Quando já estavam para encerrar o evento, depois de várias falas sobre como era maravilhoso ser mulher e mãe, abriram para dois minutos de perguntas da plateia.

Adriana levantou-se imediatamente e, quando viu, o microfone já estava sem sua mão.

- Eu queria agradecer pelo evento tão bonito que tivemos. (aplausos) Mas, os homens não deveriam estar aqui para escutar tudo isso? (mais aplausos). Meu marido, por exemplo, até me ajuda em casa, mas eu não gostaria que ele me ajudasse e sim que dividisse comigo as tarefas. Lá em casa, ele é o enfeite quando se trata de lavar louça e aqui na empresa eu descobri hoje que eu sou o enfeite. (silêncio total)

Alguém da organização do evento grudou ao lado de Adriana e segurou o microfone para ela lembrando que deveria ser breve.

- Vou ser breve, mas queria dizer que vocês bem que poderiam pensar também nas mulheres da fábrica. Olha esse uniforme! Um calor terrível e o uniforme é o mesmo em todas as cidades do norte ao sul do país. E esse modelo? Quem desenhou era homem e só pensou nos homens. Tudo bem que eles são maioria, mas é para continuar sendo assim que bolam essas coisas? Queria dizer também que acho lindo vocês pensarem numa sala de manicure aqui na sede, mas na minha fábrica não tem banheiro para mulheres.

Nós andamos muito para ir até a área administrativa e o meu chefe sempre faz piadinhas sobre como mulheres são menos produtivas. Mais uma coisa para eu me sentir culpada na vida. Lá em casa eu me sinto culpada por não dar conta das crianças e da casa – e olha que eu não tenho empregada doméstica, como vocês! Lá o problema é que meu marido não divide as tarefas de casa comigo e aqui o problema é que não pensaram e continuam não pensando nas mulheres que trabalham na empresa. Muito boas as dicas que vocês deram sobre como lidar com a culpa, mas eu queria muito aprender sobre como gerar culpa nos homens. Ninguém pergunta para eles sobre como é conciliar a carreira com a paternidade. Adorei essas dicas sobre como ser mais assertiva, objetiva e só chorar escondida no fundo do banheiro. O banheiro é tão longe que nem sei se conseguiria segurar o choro quando gritam comigo, mas e as dicas para os homens serem mais respeitosos com todos?

Desligaram o microfone para encerrar o evento, mas as mulheres da plateia estavam gostando e pediram para a Adriana continuar.

- Como a empresa vai aumentar o número de mulheres em cargos de liderança aqui na sede se há tão poucas mulheres nas fábricas? Sei que não temos plano de carreira na fábrica, mas os problemas são comuns porque tudo foi pensado por homens e para homens. Não seria o caso de pensar a empresa toda quando falamos de mulheres? Vocês têm uma empregada doméstica, que deve ser negra, como eu, para ajudar nas atividades da casa. Nós, operárias, não temos empregadas, mas nossas mães ou até nossos próprios filhos cuidando da casa enquanto trabalhamos. Não é para pensar em todas as mulheres e seus desafios? Para nós também seria ótimo termos seis meses de licença maternidade, tanto quanto seria para vocês aqui na sede. Será que a empresa vai ter um prejuízo imenso por ter mulheres ou por não ter mulheres? E tudo gira só em torno da maternidade?

Alguém se levantou no palco para agradecer e cortar, mas Adriana retomou o microfone.

- Eu quero fazer parte deste grupo e ele não deveria pensar apenas em carreira, mas em como, em tudo, poderia ser um bom lugar para homens e mulheres trabalharem. Isso de subir na carreira eu penso que é consequência da empresa ser mais aberta para homens e mulheres, a nossas questões específicas e os benefícios que traz para todos. Ou não tem benefícios? Também vejo o jeito dos homens lidarem com as máquinas e detesto quando me elogiam por ser mais delicada. Delicadas são as máquinas de hoje e esse elogio é uma ofensa para os homens. Até quando eles vão repetir que são maioria porque o trabalho exige força, como se fossem apenas músculos sem cérebro e sentimento? Nós, que somos mães, queremos embrutecer nossos meninos para sobreviverem neste mundo?

Na saída do evento, Adriana foi cumprimentada por muitas mulheres e a diretora de RH a convidou para fazer parte do grupo. Outras mulheres torceram o nariz. Uma colega chegou a dizer que ela era feminista e que não sabia seu lugar. Todas ganharam um bombom com um lindo laço cor-de-rosa e uma propaganda de outro fornecedor. O cartãozinho rosa dizia que a família era a coisa mais importante do mundo e que a mulher era o centro do universo.

O bem e o mal de Eduardo Cunha

Por Guilherme Bara

Em uma eleição que escancarou a fragilidade política do governo Dilma, Eduardo Cunha se elegeu presidente da Câmara dos Deputados.

Evangélico e exímio conhecedor do funcionamento do Congresso, o deputado do PMDB, há algum tempo, tem batido de frente com a presidente Dilma, tanto que esta não poupou esforços para tentar derrotá-lo na disputa contra Arlindo Chinaglia.

O que tem se mostrado positivo e de negativo após os primeiros quinze dias da vitória de Cunha.

Desafeto do governo, Eduardo Cunha articulou, contra a vontade do governo, a aprovação do projeto de lei que determina o orçamento impositivo. Esta medida garante que o orçamento aprovado para cada ano seja, de fato, executado, desta forma trazendo mais transparência à execução do orçamento e diminuindo o poder de barganha do Executivo, que utiliza a liberação de verbas como moeda de troca com os parlamentares a fim de aprovar projetos de interesse do governo.

Outra ação positiva de Cunha tem sido a movimentação para que seja aprovado um projeto de lei que dificulte que parlamentares troquem de partido.

Esta medida prejudicaria os planos do Ministro das cidades Gilberto Kassab, que articula a volta do PL, a fim de atrair descontentes de diversos partidos, principalmente do PMDB. Esta ação de Kassab tem o aval de Dilma já que diminuiria a influência do PMDB na base governista.

Há ainda duas outras ações positivas de Cunha. Uma é tirar da pauta parlamentar o projeto de lei apoiado por Dilma que visa controlar os órgãos de comunicação. A segunda é priorizar um projeto de reforma política que representa mais os interesses da nação do que os interesses de hegemonia do PT.

Embora movido por interesses casuísticos, estas iniciativas de Eduardo Cunha contribuiriam para dar mais transparência e decência à relação do governo com o Congresso.

Porém, se por um lado as ações de Eduardo Cunha trazem benefícios sistêmicos para o funcionamento político do país, outras prejudicariam o debate sobre temas que estão, diretamente, ligados ao dia a dia da população.

EM entrevista recente, Cunha disse que o projeto de lei que trata da descriminalização do aborto só seria discutido por cima de seu cadáver. Outra movimentação de Cunha é articular para se aprovar projetos que restringiriam o conceito de família apenas aquelas formadas por casais heterossexuais.

Em relação ao aborto, o debate é necessário e urgente, não para que obrigatoriamente, seja aprovada a sua legalização, mas sim para que a sociedade tenha mais acesso a informações sobre um tema que tem, anualmente, vitimado milhares de mulheres no país.

Já na questão dos direitos dos homossexuais, corremos o risco de retrocedermos em pontos que já foram debatidos e aprovados pela maioria da sociedade.

Seja para o bem ou para o mal, esta discussão evidencia o exagerado poder que é dado ao presidente da Câmara, na medida que ele, sozinho, tem o poder de decidir a pauta legislativa do país.

Eu não sou Charlie! E você?!

Por Guilherme Bara

Presenciamos mais uma vez um ataque terrorista, desta vez na capital cultural da Europa, Paris.

A forma fria e calculada que os membros do grupo terrorista articularam e executaram o plano faz com que nos indignemos e nos mobilizemos contra estes grupos extremistas que se vangloriam destes tipos de ataques que levam sofrimento a tanta gente.

Exposta minha indignação, gostaria de abordar o outro ponto deste caso.

Vejo milhares de pessoas se manifestando a favor do jornal Charlie Hebdo, tendo como mote principal a liberdade de expressão.

Neste ponto quero deixar clara minha posição: Eu não sou Charlie!

Não posso ser a favor de piadas ofensivas contra pessoas ou grupos em função de sua etnia, religião, deficiência ou qualquer outro marcador identitário.

Há pouco tempo acompanhamos aqui no Brasil a enorme onda de repúdio ao humorista Rafinha Bastos pelo fato de ele ter feito uma piada que envolvia a cantora Wanessa Camargo. Ali todos diziam que o humor deveria ter limites e que este limite passava pelo respeito às pessoas.

Este mesmo humorista foi acionado na justiça por fazer piadas extremamente inadequadas com pessoas com deficiência intelectual.

Fico surpreso em ver pessoas que, na época, condenaram o Rafinha, agora, clamarem pela liberdade de expressão no caso Charlie.

Em favor do periódico francês, muitos dizem que ele faz piada com todas as religiões, desta forma o isentando parcialidade.

Sim, ele, de fato, satiriza todas as religiões, prática a qual já discordo.

Este comportamento se agrava quando sabemos que a religião mulçumana é menos tolerante a estes tipos de brincadeiras e que grupos radicais islâmicos se aproveitam destes fatos para executarem ataques terroristas, justificando assim suas existências e atraindo mais financiadores e jovens simpáticos a suas supostas causas.

Este tipo de sátira também contribui para reforçar o já enorme preconceito existente na Europa contra os mulçumanos, que são na sua extrema maioria, formados por pessoas de paz.

São de talento discutível os humoristas que dizem que está cada vez mais difícil fazer humor. Pobres humoristas que só conseguem ser engraçados tendo como linha de atuação a fomentação do preconceito.

Não podemos deixar que nossa indignação a ações terroristas covardes sirvam para dar apoio a publicações deliberadamente irresponsáveis que contribuam para o fortalecimento do preconceito contra diversos grupos sociais.

Eu não sou Charlie! E você?!

Por um Plano Nacional de Segurança Pública

(Parte I: Diagnóstico Nacional)

Por Floriano Pesaro

Uma pessoa é assassinada a cada dez minutos no Brasil, segundo o levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados de 2013 foram divulgados neste mês (11/14), durante a 8ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O número é alarmante. Isso significa que a cada hora, 6 pessoas foram mortas em nosso país ano passado.

Do total de assassinatos, os homicídios dolosos (aquele em que se há intenção de matar), foram os que mais sofreram alta. 50.806 pessoas foram vítimas de homicídios dolosos no Brasil no período. Uma taxa de 25,2 vítimas a cada grupo de 100 mil pessoas.

A segurança pública aflige a todos nós, brasileiros e o que esses números refletem é a absoluta falta de uma política pública nacional de segurança, nas cidades e nas fronteiras.

É impossível não destacar o quão inepto o Governo Federal vem sendo em relação à questão; transferindo toda a responsabilidade para os Estados e os Municípios.

O Estado de São Paulo vem fazendo frente a esse desafio: é o Estado com a menor taxa de vítimas a cada grupo de 100 mil pessoas: 10,8. Em números absolutos, reduziu o total de vítimas de homicídio doloso de 5.209 em 2012 para 4.739 em 2013 – melhora de 9,2%.

Vejam que ainda não vivemos a realidade ideal. Mas no contexto brasileiro São Paulo está além e pode ajudar.

O investimento em Segurança Pública, inteligência policial, aparatos de segurança é constante. No entanto, é impossível deixar de perceber que poderíamos poupar mais vidas com uma política nacional de segurança pública integrada.
Um exemplo do descompromisso do Governo Federal com a segurança pública é que, nos últimos 3 anos, apenas 35% dos recursos disponíveis no Fundo Nacional de Segurança foram executados.

E a situação nos presídios é cada vez mais calamitosa ao redor do país não por falta de recursos. Mas por falta de uma ação mais firme do governo Federal, que, mais uma vez, executa apenas 10% dos mais de R$ 1 bilhão em orçamento disponível para o Fundo Penitenciário.

Quem paga a conta são os cidadãos. A sensação de insegurança, injustiça e impunidade é crescente.

O Estudo realizado pelo Fórum fez uma projeção: para que o Brasil reduzisse o índice de homicídio em 65,5% até 2030, deveríamos estimular políticas públicas integradas capazes de provocar a diminuição do índice em cerca de 6% ao ano.

Essa projeção se baseia “na análise de comportamento de diminuição de homicídios no estado de São Paulo, a partir da década de 1990”. O que São Paulo fez: investimento maciço e consistente, ações integradas e de inteligência – o Centro de Inteligência implantado na Copa do Mundo, por exemplo, ficou de legado para a cidade.

Sem falar da presença do Estado promovida pela Virada Social.

Mas podemos ir além, com uma política mais integrada. É o que buscamos fomentar na Câmara Municipal de São Paulo, por meio da Frente Parlamentar da Segurança Pública. Envolver o município também nessas ações. A Segurança há muito deixou de ser questão de prerrogativa de um ou de outro nível de poder. É, hoje, uma questão nacional que demanda o envolvimento de todos.

Floriano Pesaro é sociólogo, vereador de SP e líder da bancada do PSDB. Foi eleito deputado federal com 113. 949 votos.

Carta de Dilma para FHC

Por Guilherme Bara

Veja carta de Dilma Roussef para Fernando Henrique Cardoso quando o ex presidente completou 80 anos.
A Dilma que lhe critica hoje é a mesma que tanto lhe elogiou, por escrito.

Na íntegra:
“Em seus 80 anos há muitas características do senhor Fernando Henrique Cardoso a homenagear. O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica. Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje. Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidação da democracia brasileira em seus oito anos de mandato. Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito. Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias. Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!”

Meus Votos

Por Guilherme Bara

Para Deputado Federal meu voto é no Floriano Pesaro, ele é Sociólogo formado pela USP, Vereador e líder da bancada do PSDB na câmara dos vereadores. Ele foi eleito pela ONG Voto Consciente o melhor Vereador de SP em 2014. Dentre outros projetos de sua autoria, eu destaco a criação do FIES ( programa de financiamento estudantil ) e Bolsa Escola quando trabalhou no Governo FHC. Suas quatro principais bandeiras são: educação, gestão, inclusão e mobilidade. Para mais informações acesse o site do Floriano Pesaro , seu número é 4544 http://www.florianopesaro.com.br/perfil/

Para Deputado Estadual meu voto é no Bruno Caetano, mestre e doutorando em Ciência Política pela USP, atualmente é superintendente do SEBRAE SP, esta é a primeira vez que ele está concorrendo a um cargo no legislativo. Uma de suas principais bandeiras é o empreendedorismo, vai lutar para que este tema seja incluído no currículo de escolas e faculdades, além de muitas outras propostas para estimular o crescimento de micro e pequenas empresas no país. Para mais informações acesse o site do Bruno Caetano, seu número é 45145 http://brunocaetano.com.br/perfil/

Ressalto que os cargos de Deputado federal e Estadual são muito importantes para o país, escolham pessoas que compactuem com seus valores e opiniões, para que consigamos ter um país mais justo e eficiente.

Além disso, reforço meus votos para os demais cargos:
Presidente – Aécio neves 45, é o único que é oposição de verdade e o que tem mais estrutura para vencer o PT no segundo turno.
Governador – Geraldo Alckmin 45
Senador – Serra 456

Na ordem que estará na urna eletrônica:

Dep Estadual: Bruno Caetano 45145
Dep Federal: Floriano Pesaro: 4544
Senador: José Serra 456
Governador: Geraldo 45
Presidente: Aécio: 45

‘Viver sem limites’ (ou vivendo com limites)?

Por Mara Gabrilli

No final de 2011, o Governo Federal anunciou o programa Viver sem Limites, que prometia aplicar, até o final de 2014, R$ 7,6 bilhões para atender a população com deficiência, que hoje já ultrapassa os 45 milhões. Em uma conta rápida, chega-se ao valor de 55 reais, por ano, a cada brasileiro com deficiência para ser atendido nas áreas de educação, saúde, cidadania e acessibilidade. O valor não arca nem o gasto anual com pilhas para um aparelho auditivo, por exemplo.

Um orçamento pífio diante das necessidades latentes dessa população e da dívida histórica que o Brasil tem com o cidadão com deficiência. Hoje, três anos após o lançamento do pacote, o que será que, de fato, já foi feito? A situação e as demandas da população com deficiência continuam exatamente as mesmas, mas o governo, por sua vez, apregoa milagres em suas propagandas publicitárias.

Para questionar a ausência destes resultados, fiz um requerimento de informação à ministra Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, cobrando dados orçamentários e de gestão sobre o programa. O Congresso Nacional costumeiramente destina verba orçamentária para o programa Viver Sem Limites. No entanto, os resultados e a aplicação desses recursos Ninguém sabe, ninguém viu.

No site Observatório do Viver sem Limites (www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-com-deficiencia/observatorio/balanco-programa), é possível acompanhar o que foi feito neste período. O problema é que as informações estão “jogadas”. Ao acessarmos o canal, temos o número de 30.322 escolas que receberam recursos para acessibilidade. Mas quais são esses recursos? Como estão essas escolas hoje? E o mais importante: quantas escolas ainda não estão acessíveis?

Uma das promessas do Governo era chegar a 150 mil pessoas com deficiência matriculadas no PRONATEC. No entanto, até agora, somente cerca de 11.700 estão matriculadas, ou seja, menos de 10% do prometido.

O Governo precisa prestar contas com detalhes sobre as dotações orçamentárias e eventuais acréscimos; o volume de recursos que cada Estado recebe, ano a ano, e os produtos e equipamentos que foram implementados ou instalados pelo programa.

Em nome da transparência e da necessária prestação de contas à sociedade esses dados devem ser públicos. Se o Governo está, de fato, trabalhando para melhorar a vida da pessoa com deficiência, é preciso mostrar esses resultados na prática, e não apenas na teoria e nos discursos.