A privatização da democracia brasileira

Por Floriano Pesaro

 Artigo publicado no jornal “Folha de São Paulo”em 28/04/2012

 A cidade de São Paulo deve ceder um terreno ao Instituto Lula?

NÃO

Interessa à população de São Paulo ceder um terreno público localizado no mais importante polo cultural da cidade ao Instituto Lula, cuja missão é cuidar do acervo histórico da gestão do ex-presidente e divulgar as suas realizações? Parece-me claro que não. O único beneficiado com essa transação será o PT e seu projeto de poder.

O projeto de lei 29/2012, do Poder Executivo, em tramitação na Câmara dos Vereadores, autoriza a concessão, sem concorrência, por 99 anos, de uma área pública na região central ao Instituto Lula.

São4.300 m2, estimamos pelo mercadoem até R$ 20 milhões, em uma região que começa a passar por intenso processo de requalificação. O projeto de lei nem sequer exige contrapartidas, à exceção da exigência de se abrir o espaço à visitação de escolas públicas.

Segundo o texto, no local será erguido um Memorial da Democracia, um museu para “dar visibilidade pública à cultura política democrática”. Mais adiante no mesmo texto, é possível entender melhor o que se entende por isso: nele será disponibilizado “todo o acervo documental referente aos oito anos de mandato do presidente Lula”.

Curioso e preocupante que justo o PT se arrogue o direito de portar a memória democrática do país.

Lembremos que esse é o partido que: expulsou seus deputados que votaramem Tancredo Neves; recusou-se a assinar a Constituição, marco da redemocratização, em 1988; e combateu duramente duas das maiores conquistas da nossa história recente, a estabilidade monetária e a austeridade fiscal, chegando ao ponto de ir à Justiça contra o Plano Real, em 1994, e contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2001.

O PT nunca fez uma autocrítica oficial quanto à sua posição nesses momentos cruciais do nosso amadurecimento democrático. Será que podemos confiar a ele o papel de guardião da memória coletiva de momentos como esses?

Tudo indica que estamos diante de uma privatização, não só de um terreno, mas da própria democracia brasileira. Afinal, é da natureza do PT apostar na confusão entre o público e o privado para fortalecer seu projeto de hegemonia no país.

Que melhor forma de fazê-lo do que garantir um espaço -e com dinheiro público- onde possam transmitir aos alunos de escolas públicas a doutrina petista segundo a qual a história do Brasil começa em 2003?

Quem sabe no portão de entrada do futuro museu algum companheiro se lembre de inscrever as palavras “nunca antes nesse país”…

O Instituto Lula pode não ter fins lucrativos, mas tem fins políticos bem claros. Não podemos esquecer que Lula continua extremamente ativo na política nacional e municipal. Já declarou que se envolverá de cabeça na campanha desse ano.

Que ninguém se engane: ceder esse terreno equivale, na prática, a doar o dinheiro dos contribuintes paulistanos para um partido político cuja prioridade número um é reconquistar a prefeitura da cidade.

São Paulo merece sim um Memorial da Democracia digno do nome. Um museu que registre as conquistas do povo brasileiro na luta contra o autoritarismo, que faça justiça à memória de líderes como Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso e do próprio Lula.

Essa seria sim uma destinação nobre ao terreno. É evidente, entretanto, que esse é um empreendimento que só pode ser implementado e administrado por uma organização tecnicamente qualificada, isenta e apartidária, não por um partido político, para que reescreva a história do Brasil à sua maneira.

Estaríamos dando alguns passos atrás na consolidação de nossa combalida democracia.


FLORIANO PESARO, 44, sociólogo, é líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo

 

Para quem não gosta de política

Por Guilherme Bara

 “Política, não gosto. Aliás, detesto. Muito chato. A única coisa legal na política é aquele horário eleitoral que mais parece um programa de humor. Tem cada figura”.

Você se identificou com a afirmação acima?

Se sim, digo que este artigo foi escrito exatamente para você.

Antes, com tudo, pergunto: Você bebe na balada e depois pega seu carro, torcendo para que nenhum policial te pare e peça para fazer o teste do bafômetro? Alias, se isso acontecer você já tem a resposta na ponta da língua, não é? “Não posso produzir provas contra mim mesmo”. Pronto, resolvido.

Mais algumas perguntas:

Você pensa em ter filhos ou mais filhos?

Você ou seu filho pretende ingressar em uma faculdade?

Você é mulher ou tem filha mulher e se preocupa com a violência sexual contra as mulheres?

Você gostaria de ir ao trabalho de bicicleta?

Chega a te afetar a criação de um pedágio urbano com intuito de diminuir o trânsito e a poluição, além de financiar o transporte público?

Você usa sacolas plásticas para carregar as compras do supermercado?

 Bom, se você respondeu positivamente ao menos a uma das perguntas acima, te digo um negócio: é bom você começar a olhar a política com outros olhos, pois é a política e são os políticos que vão decidir sobre todos estes temas, alias, já estão decidindo!

Enquanto escrevo este texto o STF julga a validade de cotas para negros nas faculdades. Os candidatos negros e não negros, logicamente, são diretamente afetados com esta decisão.

Há alguns dias foi aprovado projeto que dá poder de prova à percepção do policial contra motoristas embriagados; foi julgada a questão dos fetos anencéfalos e dada a permissão para o aborto nestes casos; o prefeito Kassab anunciou a criação de novas ciclofaixas.

Como podemos ver, nossa vida é afetada a todo tempo por decisões políticas. Atualmente, com a facilidade de nos comunicarmos com o mundo por meio das redes sociais, temos a oportunidade de colocarmos nossa opinião para os homens públicos e pressioná-los na hora de votar um tema relevante para a sociedade.

As ferramentas estão aí e depende de um pouco mais de interesse nosso, não pelos políticos, mas por nós mesmos.

Este ano temos eleições e com isto uma nova oportunidade de fazermos escolhas certas.  O que seria uma escolha certa? Escolha certa é a escolha que é feita de forma consciente.

Mas só uma última pergunta. No que temos que votar este ano mesmo?

Conhecer para amar ou amar para conhecer?

Por Reinaldo Bulgarelli

O Blog do Guilherme Bara está animado quanto à questão da diversidade. Mara Gabrilli e o próprio Guilherme estão nos oferecendo artigos que são gostosos de ler e que fazem pensar sobre a vida, sobretudo quando compartilham suas experiências e a condição de pessoa com deficiência. Ela é tetraplégica e ele é cego, duas características que os forçam a rejeitar o discurso fácil do “somos todos iguais” para fazer perceber que somos diferentes uns dos outros e, mais ainda, bem diferentes de um padrão dominante: homem, branco, loiro, sem deficiência, heterossexual, adulto, enfim, a cara do Homem Vitruviano ou do Brad Pitt.

A diversidade pode ser reduzida a essa conversa do “somos todos iguais” para sumir com nossas diferenças. Se estivermos falando da Declaração Universal dos Direitos Humanos como base ética para esta afirmação, cabe lembrar que ela existe exatamente para garantir a expressão de nossas características, de nossas singularidades, evitando que diferenças se transformem em motivo para a produção de desigualdades intoleráveis. Somos iguais na condição de membros da família humana, na condição de gente. Não é, contudo, afirmar que somos iguais como gente “apesar” ou “independente” de nossas características, mas considerando-as, respeitando e tendo essa diversidade como valor ou fonte de riqueza para a humanidade.

Porque implico tanto com o “somos todos iguais”? Não é pela afirmação em si, corretíssima, mas implico quando ela é utilizada para manter as coisas como estão e não como base ética que nos inspira a superar barreiras, a enfrentar preconceitos, a reparar o que foi produzido ao longo da história. Reparação é uma palavra que parece sumir imediatamente após a afirmação dos “somos todos iguais”, mas olhando em volta tudo sugere que precisamos de uma consciência crítica mais efetiva para transformar a afirmação da igualdade em patamar para o enfrentamento das desigualdades.

Sim, se somos todos iguais, como conviver com as disparidades entre homens e mulheres, brancos e negros, hetero e homossexuais, pessoas com e sem deficiência? A base para a realização de ações afirmativas ou de reparação está nesta maneira de considerar a igualdade. Mas, junto às medidas para reparar e promover efetiva igualdade entre os membros dessa grande e diversa família humana, está o desafio das relações de qualidade, da tolerância, do respeito, da construção de espaços onde nossa interação possa significar desenvolvimento de cada um e de todos. Se é importante afirmar nossas singularidades, também é importante não esquecer que o sentido maior disso é estarmos juntos, unidos, interagindo, se relacionando para enfrentarmos os desafios da vida e, no plano mais amplo, os desafios da sustentabilidade da vida no planeta.

Na igualdade dos discursos fáceis e falsos, a diferença desaparece e, ao desaparecer, não permite a interação, a convivência, a troca e o desenvolvimento das pessoas e das sociedades. É na convivência que nos expressamos e nos modificamos, que são gerados aprendizados essenciais para nossa transformação, invenção e reinvenção dos modos de ser e estar no mundo. Na convivência, tudo se transforma e nada fica como está. Cada encontro que realizamos com os outros, com suas características semelhantes e diversas das nossas, nos permite mudanças e ampliação de horizontes que na solidão não daríamos conta de realizar. A cada encontro, nesta interação complexa e dinâmica, deixamos de ser quem somos porque é o outro que me ajuda também a compreender quem sou e o que posso ser. Para o bem e para mal em termos do nosso desenvolvimento, podemos levar o outro dentro da gente a cada encontro que a vida oferece.

Sem reparação, sem que a gente construa espaços de convivência entre todos, como aqueles proporcionados, por exemplo, pela legislação de cotas para pessoas com deficiência no mercado de trabalho, não há encontro, não há aprendizado, só há discursos de que a igualdade é um dado e não um motivo para sairmos atrás de quem está faltando ou ficando do lado de fora.

Há quem critique as cotas porque elas ferem a igualdade, essa dos discursos fáceis e falsos. Há quem lamente precisarmos de cotas, mas que comemoram o que elas proporcionam: convivência na diversidade, a oportunidade de superar barreiras internas e externas. Com as práticas de reparação, quebra-se o circulo vicioso da exclusão e a convivência passa a dar o tom dos novos espaços existenciais que são criados. E o ser humano é bacana. Sempre aprende quando algo é significativo. A diversidade é significativa e muito mais rica e atraente que a monotonia dos discursos fáceis e falsos.

A diversidade é desafiadora, mas atraente, mesmo porque todo mundo experimenta “a dor e a delícia de ser o que é” nessas interações e não quer ver sua singularidade massacrada pela imposição de um padrão dominante que define que o normal é ter escadas onde poderia também haver rampas. Há quem diga que preconceito é uma dessas escadarias que a gente constrói na cabeça e que nos impede de interagir com outros, com a realidade, com as novidades e com a inovação.

Preconceito é conceito pré-concebido, um conhecimento sobre outros e situações que já temos antes mesmo de conhecer de verdade. E como fazemos para superar essa escadaria em nossa cabeça e incluir rampas, pontes que nos aproximem e não nos afastem uns dos outros? No meu livro “Diversos Somos Todos” eu pergunto se é preciso conhecer para amar ou amar para conhecer. Acredito que podemos aprender a amar a vida, ter gosto pela diversidade, pela novidade, pelos outros que nem sequer imaginamos como são e do que gostam, o que fazem e o que propõem. Podemos desenvolver esse apreço antes de tudo, como postura de vida, para que cada encontro com os outros não seja apenas aquele momento formal de aprendizado que acontece numa sala de aula, mas num recreio divertido onde há o prazer do encontro, da convivência, de saber-se mais por se estar junto.

A diferença entre deficiência e incapacidade

Por Guilherme Bara

 Se buscarmos qual é a primeira coisa ou expressão que nos vem à cabeça quando falamos em deficiência, na maioria das vezes termos como dificuldade, incapacidade, e falta de algo, serão os lideres em nossas mentes. E por que isto acontece?

Isto acontece porque, desde sempre, a sociedade discrimina e classifica as pessoas com deficiência usando os termos que citamos a pouco.

Na antiguidade, em diversos povos, as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência eram eliminadas (mortas) logo após seu nascimento.

Na Idade Média, as pessoas com deficiência eram isoladas, seja porque eram vistas como pessoas sem alma, seja porque eram, em alguns casos, vistas como divindades.

Nos palácios, podíamos encontrar pessoas com deficiência servindo como “Bobos da corte”.

Os conceitos que temos sobre as pessoas com deficiência, desta forma, não nasceram com a gente, muito menos com nossos pais.

Foram passados de geração para geração durante centenas, milhares de anos.

Isto justifica relacionarmos palavras e expressões negativas às pessoas com deficiência.

Mas deficiência e incapacidade são a mesma coisa?

Não. São coisas diferentes embora possam se relacionar.

Explico melhor.

A deficiência é algo inerente ao corpo, à condição física ou intelectual da pessoa, por exemplo, a cegueira e a síndrome de Down. Esteja o mundo acessível ou não, a deficiência está lá.

Já a incapacidade é o resultado da relação entre a deficiência e as eventuais barreiras do meio.

Uma pessoa cega, isto é, que tem uma deficiência, pode ou não ser capaz de mexer em um computador, dependendo da existência de algumas barreiras. Se o computador possuir um programa de leitura de tela, as barreiras desaparecem. A deficiência continuará lá, mas a incapacidade de mexer no computador não.

No caso de um “cadeirante”, a deficiência física estará lá, mas a incapacidade de transpor um degrau com autonomia vai depender da existência de uma rampa.

Assim temos a diferença entre deficiência e incapacidade.

As vezes a barreira que tem que ser transposta é a falta de um leitor de tela ou um degrau, porém há um outro tipo de barreira tão cruel ou mais que é a barreira de atitude.. É a barreira invisível que muitas vezes não dá a oportunidade de uma pessoa com deficiência mostrar sua capacidade. É o não sem explicação, é o desvio de direção das outras pessoas quando passam por ela. É a discriminação baseada em conceitos preconcebidos.

 O desafio de cada um de nós é contribuir para eliminar ou ao menos diminuir as barreiras físicas ou de atitude, para que uma pessoa com deficiência seja capaz de desempenhar uma tarefa, aproveitar uma oportunidade e, sobretudo, usufruir a vida.

Qual é sua opinião? – Pedágio urbano

A poluição e os congestionamentos estão entre os problemas das grandes cidades no Brasil.

O rodízio de carros e a inspeção veicular são as mais relevantes ações da prefeitura de São Paulo com intuito de amenizar estes problemas.

Uma ação há muito cogitada é a cobrança de pedágio para os carros acessarem o centro expandido da cidade (área do rodízio).

O argumento do urbanista Candido Malta, um dos entusiastas da cobrança, é que o pedágio no valor de R$3,60 retiraria um significativo número de carros das ruas, além de permitir novos investimentos em metrô.

Você é a favor da cobrança do pedágio urbano?
Sim. Além de melhorar a poluição e trânsito, as pessoas que atualmente não usam o carro (maioria) seriam bastante beneficiadas.
Não. As pessoas já pagam muitas tarifas e o transporte público não dará conta do acréscimo na demanda.
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Cessão de terreno para o Instituto Lula. Veja como cada vereador votou

 Por Guilherme Bara

 A Câmara municipal de São Paulo aprovou ontem em primeiro turno a cessão de terreno avaliado em R$20mi por 99 anos para o Instituto Lula. No local será construído o Memorial da Democracia.

É difícil imaginar como que um partido que não mede esforços para manter seu projeto de poder, que não perde oportunidade para disseminar a ideia do controle da imprensa, que repassa milhonárias quantias para sindicatos e movimentos sociais como a UNE com claro intuito de controle social, pode ter isenção ideológica e aval público para ser tutor de um espaço que deveria ser neutro e apartidário, tendo em vista o enorme recurso público empregado.

 Veja como cada vereador Votou.

  • Vereadores que votaram “Não” para a cessão do terreno

PSDB

 ANibal de Freitas

Aurélio Nomura

Floriano Pesaro

Gilson Barreto

José Rolim

Tião Farias

 PPS

Claudio Fonseca

 PV

 Gilberto Natalini

 PTB

 Adilson Amadeu

 PR

 Aurélio Miguel

 

  • Quem votou “Sim”para a cessão do terreno

 PT

 Alfredinho

Asselino Tatto

Carlos Neder

Chico Macena

Donato

Francisco Chagas

Ítalo Cardoso

José Américo

José Ferreira ( Zelão)

Juliana Cardoso

Senival Moura

 PSD

 David Soares

Domingos Dissei

Edir Sales

Goulart

José Police Neto

Marco Aurélio Cunha

Marta Costa

Milton Ferreira

Ushitaro Kamia

 PV

 Abou Anni

Dalton Silvano

Ricardo Teixeira

Roberto Tripoli

 PR

 Agnaldo Timóteo

Antonio  Carlos Rodrigues

Quito Formiga

 PSB

 Eliseo Gabriel

Juscelino Gadelha

Noemi Nonato

 PP

 Attila Russomanno

Wadih Mutran

 DEM

 Carlos Apolinário

 PC do B

 Jamil Murad

 PRB

 Atilio Francisco

 PDT

 Claudio Prado

 PTB

 Paulo Frange

 

 

 

 

Por uma São Paulo com Mobilidade Humana

 Por Floriano Pesaro  

São Paulo é uma cidade singular, de números estratosféricos: é a sétima maior cidade do globo, com mais de 11 milhões de habitantes; é o coração da sétima economia do Planeta; a Grande São Paulo tem um PIB de US$ 400 bilhões, mesmo valor do PIB das Filipinas, por exemplo. Quando o assunto é frota de táxis e helicópteros, só perde para Nova Iorque e caminha na mesma direção no que se refere a automóveis particulares.

Todas essas referências são símbolos da vibrante e ascendente economia paulistana, mas contrastam – de forma gritante – com o número de opções que a cidade oferece aos que tentam reverter a lógica individualista de se locomover. Muito em breve, a cidade pode parar.

Vejamos: A nossa cidade, de dimensão estadual – tanto em área quanto em população – não oferece mais que 150 quilômetros entre ciclovias e ciclofaixas, o que ainda é muito pouco. Deveríamos ter no mínimo 400 quilômetros. Nova York tem 400 quilômetros de ciclovias para seus oito milhões de habitantes. Em Paris, são 440 quilômetros. Não precisamos ir longe. Em Bogotá, na vizinha Colômbia, são 180 quilômetros. Em São Paulo, estima-se que mais 300 mil ciclistas utilizam as ciclovias, as ciclofaixas e demais meios compartilhados com o pedal. Aos domingos, este número chega a 40 mil ciclistas. 

 A bicicleta tornou-se um importante meio de substituição dos veículos automotores. Não polui o meio ambiente, é saudável, não gera congestionamentos, tem preço acessível, baixo custo de manutenção e não exige combustível. Trata-se de um símbolo do conceito de sustentabilidade. Para incentivar mais pessoas a usar a bicicleta, precisamos ampliar as ciclofaixas e ciclovias além de, principalmente, mudar a cultura do trânsito.

 Há uma crença dominante entre motoristas e motociclistas de que a bicicleta é um veículo menos importante, um ‘intruso’ no espaço urbano. Há um entendimento equivocado de que é o ciclista quem deve se proteger, desviar dos carros e, se possível, sequer existir. Esquecem que, se houvesse uma hierarquia no trânsito, o mais vulnerável é quem deveria ser priorizado – ou seja, aquele que está mais exposto. Não há dúvidas de que nessa matemática o ciclista deveria estar em primeiro plano.

 Os acidentes com ciclistas ilustram muito bem o que ocorre na nossa cidade. Em cerca de uma semana, dois ciclistas morreram em diferentes regiões de São Paulo.

  A confusão nas vias dilui as responsabilidades e favorece uma espécie de “barbárie anônima”. Na feroz disputa por espaço, esquecemos de que a rua é um espaço público. Não existe um que é mais dono do que o outro. A rua pertence a todos. O direito de ir e vir não pode ser proporcional às dimensões do veículo. Os mais fortes e mais robustos não têm prioridade nas vias públicas.

 Além da disputa por espaço, os condutores de veículos estão cada vez mais estressados, utilizando as vias públicas para praticar todo o tipo de incivilidade e de agressão ao outro. É preciso uma mentalidade mais ecológica, que leve em conta a cordialidade e o interesse público.

 Por isso, é preciso reverter a lógica com que a locomoção vem sendo pensada em nossa cidade. É nisso que pensamos quando propusemos a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Mobilidade Humana – projeto de nossa autoria aprovado semana passada na Câmara Municipal de São Paulo.

 Com a Frente teremos um espaço para debater as questões que afetam os cidadãos que se deslocam sem a utilização de veículos motorizados, em especial, ciclistas, cadeirantes e pedestres. É fundamental abordar a mobilidade sob a ótica do planejamento urbano, da educação, da cidadania e segurança no Trânsito.

 Historicamente, tentamos resolver os problemas dos transportes metropolitanos pela vertente da infraestrutura viária, e não pela adoção de um modelo focado nos cidadãos e em suas necessidades. Desse modo, já é passada a hora de iniciarmos este debate. A mobilidade deve se inserir em um novo modo de pensar a Política Urbana, que deve estar pautada no tripé: mobilidade humana, desenvolvimento local e sustentabilidade ambiental. E para isso precisamos das mudanças já!

Só se muda o futuro com ações no presente. Vamos começar?

Floriano Pesaro, sociólogo, vereador e Líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo

 

Lula x Seu Excesso de Confiança

Recentemente o ex-presidente Lula recebeu a feliz notícia que seu câncer de garganta tinha desaparecido.

Desta forma o líder petista estaria pronto para voltar ao comando das estratégias petistas para manter e ampliar seus domínios. Mas enquanto Lula passava pelo tratamento, uma de suas mais calculadas manobras estava em pleno curso.

 Os primeiros sinais desta manobra apareceram pouco antes de Lula sair do governo, quando afirmou que se dedicaria a mostrar que o “mensalão” foi uma farsa criada pela oposição e pela imprensa. Esta dedicação nem de perto se baseou em mostrar como seus companheiros teriam sido injustiçados por uma espécie de complô social.

O “mensalão”foi o maior caso de corrupção do país que envolvia enorme e bem estruturado esquema de compra de votos supostamente coordenado pelo então braço direito de Lula, o ministro da casa civil José Dirceu.

Na época o próprio Lula deu declarações que confirmavam a existência do esquema e procurava se isentar de responsabilidade com o argumento pouco crível que não sabia de nada.

 A estratégia atual de Lula, longe de trazer provas ou evidências que livrem seus comparsas, partiu para a tática já utilizada na campanha de Dilma quando do escândalo que ligava a atual presidente a um esquema para beneficiar empresas do filho de sua então assessora de confiança, Erenice Guerra. Em troca a empresa beneficiada pelo esquema teria colaborado com as campanhas petistas.

No caso Erenice a resposta petista foi criar um factóide com o inexpressivo Paulo Preto, que teria desviado recursos da campanha de Serra para seu benefício próprio. Desta forma passando a mensagem que se Dilma fazia coisas erradas, todos faziam e então a situação se neutralizaria.

A tática petista é fazer um enorme barulho em cima de um caso menor da oposição a fim de ofuscar um caso bem mais grave do próprio governo.

Com o caso mensalão possivelmente sendo julgado até julho deste ano, Lula teria tirado uma carta que há muito tinha na manga para desgastar a oposição.

Trazer a público uma operação que envolveria lideranças da oposição ao lobista e contraventor Carlinhos Cachoeira. Entre estas lideranças, inclui-se o ativo senador Demostenes Torres (DEM GO) e o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB).

Perillo causou bastante desconforto ao revelar que havia alertado o então presidente Lula da existência do “mensalão” antes do caso estourar. Lula sempre afirmou que nunca soube do caso e usava este argumento como auto absolvição.

O Caso “ Cachoeira” desencadeará uma CPI que está longe de ter objetivos republicanos, visa, de fato, ofuscar o julgamento dos envolvidos no maior esquema de corrupção conhecido no país ocorrido no governo petista.

Sendo o presidente mais popular da história, tendo elegido sua sucessora que mantem excelentes índices de aprovação pela população e com a aura quase de divindade após vencer a doença, Lula está mais confiante do que nunca que enterrará o caso de maior insulto ao povo brasileiro.

A esperança de quem quer que algo de justo aconteça neste processo é que parte da imprensa tem liberdade e capacidade analítica e um segmento silencioso da sociedade está bastante alerta e ansioso para o desfecho deste caso.

Outro fator que pode por água no chopp de Lula é que as ligações escusas de Cachoeira, pelo que tudo indica, vão além de beneficiar políticos da oposição. O governador do DF, Agnelo Queiroz, (PT) já aparece no caso e nada indica que o envolvimento de importantes quadros do governo pare por aí.

Resta-nos acompanhar e torcer para que desta vez o Brasil seja maior que o governo e dê uma esperança que podemos ser um país um pouco mais justo, onde quem se diverte à custa da população possa ser julgado e punido adequadamente.

Qual é sua opinião? – Legalização das casas de prostituição

O Senado deve votar em breve projeto que legaliza o funcionamento de casas de prostituição no Brasil.

Hoje a prática de se prostituir não é proibida, mas o funcionamento de casas de prostituição é ilegal.

Você é a favor da legalização das casas de prostituição?
Sim. Pois estas casas, na prática, há muito já funcionam e sua legalização facilita a fiscalização de eventuais abusos.
Não. Pois servirá de estímulo à prostituição, além de ser um espaço que afronta aspectos morais.
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Somos Todos Iguais?

Por Mara Gabrilli

Ainda jovem, carregava um pensamento muito comum aos brasileiros: o de que
os políticos são todos iguais. Talvez naquela época eu ainda não refletisse
muito sobre esse assunto – e alguns outros, mas ao cabo, acolhia esse
sentimento como boa parte da população. Um dia, sofri um acidente de carro,
quebrei o pescoço e fui obrigada a ser diferente. Novo corpo, nova forma de
me locomover, novo olhar para o mundo – minha perspectiva ótica não é igual,
sentada na cadeira, meu ângulo de visão é outro. Não posso dizer que muita
transformação em mim é ocasionada pela tetraplegia. Mas, posso afirmar que
ser obrigada a tomar uma nova vida pelas rédeas me fez encarar obstáculos de
maneira bem diferente.

A cadeira não foi um deles, por exemplo, quando anos depois, ao ser bastante
instigada pela minha mãe, saí de casa e fui ao Ministério Público de Santo
André denunciar o esquema de corrupção na cidade que envolvia empresários de
ônibus (meu pai era um deles), dos quais se extorquia uma “caixinha” para o
dito fundo de campanha do PT. História bem conhecida pelos diários impressos
e cujo ápice se deu com a morte do prefeito Celso Daniel. Antes ainda do
assassinato, bati na porta do apartamento do então presidente Lula para
fazer a mesma denúncia. Cafezinhos e promessas na mesa, mas de concreto nada
foi feito.

Ainda assim não perdi a esperança na política, achei que podia ser
diferente: candidatei-me a vereadora e obtive votos que me garantiram a suplência, fui a primeira Secretária da Pessoa com Deficiência do País, elegi-me, então, vereadora e agora sou Deputada federal. No início deste ano, quando cheguei a Brasília, aquele
sentimento de jovem me traiu novamente. Contudo, felizmente, para minha própria surpresa, a desagradável sensação do “tudo é assim mesmo” não faz parte do meu dia a dia como parlamentar.

Ao adentrar as entranhas do Congresso Nacional, me surpreendi com uma realidade diferente. E eu, uma apaixonada pela diversidade humana, deflagrei em Brasília mais um sinal de que, realmente, não somos todos iguais. Deparei-me com fatos distantes daqueles que alimentam a mídia nacional todos os dias e deixam os brasileiros sem
esperança de viver em um país menos enlameado. Falo de uma política do bem,
feita por alguns parlamentares realmente dispostos a trabalhar.

Sou contra a deterioração das estruturas democráticas. Alguns maus políticos
não podem acabar com a seriedade da democracia brasileira. Esse é meu
sentimento e foi assim desde que entrei na política. Surpreendi-me com
Brasília, mas de maneira muito positiva. A começar pela seriedade e
competência da estrutura da Casa, seus funcionários e toda a gestão interna.

No meu caso,  acessibilizaram o plenário para que eu e outros parlamentares
cadeirantes pudessem utilizar o espaço, como qualquer outro membro da Casa.
Ali, fiz meu primeiro discurso. E o fiz com muita honra, em homenagem aos
meus eleitores e a todos aqueles que tornaram aquele fato possível.
Encontrei parlamentares dedicados, sensíveis e empenhados para representar a
população que lhe conferiu seu voto. Ali presencio a luta de outros
políticos para tornar leis projetos que realmente melhorem a vida da
população.

E se de um lado, ainda vemos representantes viciados no Poder, dopados e
cegos dentro de redes sujas de articulação e interesse, do outro, podemos, sim, vislumbrar o trabalho de gente que carrega a responsabilidade de
representar uma nação. Momentos assim funcionam como um lampejo e servem
para enxergar a diversidade onde se menos espera.

Mas, tenho de admitir que aquele sentimento de impunidade, de quando ainda era só  uma menina, continua a me perseguir,
ora como um sonho ruim, ora como uma guerra que tento ganhar diariamente. A corrupção no Brasil é lugar comum para os políticos, não podemos deixar que o seja também para a sociedade. Não podemos deixar que a impunidade manche nossas instituições. Por isso, é vital que não matemos essa pequena chama que ainda acalenta os corações de quem acredita nas pessoas.