Os benefícios da “Lei de Cotas”

Por Guilherme Bara

A lei 8213, criada em 1991, é velha conhecida dos departamentos de recursos humanos das empresas, já que interfere em diversos pontos da relação empresa / funcionário. O artigo que trata da criação de reservas para os trabalhadores com deficiência nas empresas que tem 100 funcionários ou mais foi deixado de lado por quase 10 anos até que se iniciou uma ação efetiva de fiscalização.

A partir daí começou uma revolução no processo de inclusão das pessoas com deficiência.

Enfrentando a resistência da maior parte das empresas que alegavam que a criação das cotas seria discriminatória e que as corporações já tinham este olhar social, a lei de cotas conseguiu, facilmente, desconstruir esta retórica com números que não deixam dúvidas.

No Estado de São Paulo havia 601 trabalhadores com deficiência em 2001, início da fase de fiscalização. Onze anos depois o número saltou para algo em torno de 100 mil pessoas.

Mesmo com mais de 50% das empresas ainda não cumprindo a totalidade de suas cotas, presenciamos uma drástica mudança no paradigma da inclusão. A inclusão econômica das pessoas com deficiência é a grande catalizadora da inclusão social como um todo.

Conforme as pessoas com deficiência conseguem um emprego, elas passam a exercer uma pressão pela adaptação de serviços como um transporte público adaptado, uma calçada acessível, uma comunicação urbana que permita que todos tenham acesso à informação.

Os benefícios não param por aí.

O processo de inclusão laboral das pessoas com deficiência trouxe um significativo aumento de renda para o segmento o que tira da invisibilidade milhões de novos consumidores que hoje já recebem atenção especial de diversas empresas.

Seguros de carros customizados, atendimentos telefônicos inclusivos e etiquetas em Braille são só alguns exemplos deste olhar do mercado para este novo consumidor. Estes benefícios já seriam suficientes para justificar a criação desta lei, mas ela traz um ganho ainda mais impactante para o processo de inclusão do segmento.

Com a entrada de milhares de pessoas com deficiência no mercado de trabalho temos o maior benefício que é o aumento do convívio entre as pessoas com e sem deficiência. Este convívio acontece no metro, nos ônibus, nas calçadas e sobre tudo no ambiente de trabalho que é onde as pessoas passam a maior parte do tempo em contato direto com os colegas.

Diversas dúvidas são esclarecidas, tabus são quebrados, pois a informação chega deuma forma mais natural e efetiva.

Com a entrada das pessoas com deficiência no mercado de trabalho o tema entrou na pauta das empresas, mas sobre tudo na pauta social.

Hoje é comum encontrarmos reportagens sobre o tema e em alguns casos se dá à pessoa com deficiência o posto há pouco imaginável de protagonismo.

Com o convívio diversos preconceitos são eliminados e passamos a humanizar mais as relações. O desafio das empresas não é simples, já que falamos de incluir uma parcela da população que, historicamente, foi socialmente marginalizada, mas os benefícios desta ação afirmativa devem se sobrepor a quaisquer tipos de resistências.

Por onde se deve começar a inclusão?

Por Reinaldo Bulgarelli

Muita gente, mesmo aqueles que trabalham com inclusão de pessoas com deficiência, caem nas armadilhas do círculo vicioso da exclusão. Uma delas diz respeito à crença de que o mundo atual deve ser jogado fora para se iniciar tudo em outras bases. Como isso não é possível, dizem que o fio da meada é a educação, de preferência a educação infantil – creche e pré-escola.

Se estamos inseridos num círculo vicioso que gera exclusão, não há fio da meada e nem a possibilidade ética de dizer para as gerações atuais que tudo está perdido e que voltem para casa porque apenas as novíssimas gerações terão oportunidades. É proposta autoritária, paternalista (supõe que haja deuses cuidando da educação) e impossível de realizar ou tornar realidade.

Os círculos viciosos são quebrados em qualquer lugar ou momento. No caso das pessoas com deficiência, estamos vivenciando exatamente essa situação. A legislação que impôs reserva de cotas para elas no mercado de trabalho não esperou o mundo se acabar ou começar de novo para interferir na realidade. Focando num dos momentos da vida das pessoas, a inserção no mercado de trabalho, está gerando, por sua vez, impactos positivos na família, na educação, na comunidade e em vários outros aspectos da vida em sociedade, como o transporte, comunicação, turismo, atitudes e comportamentos de todos.

Crianças, jovens ou adultos com deficiência, ao perceber que há agora essa possibilidade de inserção no mercado de trabalho, sentem-se motivados a estudar, a ganhar espaço no mercado de consumo e dispostos a brigar por direitos, a rediscutir a qualidade das relações familiares, a vida afetiva, a maneira, enfim, de ser e de estar no mundo.

E se o processo de inclusão começasse pela creche? Também aconteceria o mesmo, mas acredito que a escolha, casual ou proposital, pelo mercado de trabalho conferiu ainda mais força para essa transformação do circulo vicioso em um circulo virtuoso que a tudo e todos transforma. Ter um trabalho e receber uma renda no mercado formal confere à pessoa um status que a transforma mais rapidamente em sujeito da própria história.

Quem não tem boa vontade para incluir e prefere posturas paternalistas, se queixa que as pessoas com deficiência estão chegando sem preparo algum para trabalhar. Não percebem que suas empresas estão fazendo parte de um momento histórico e que estão em plena transformação os conceitos e as posturas que tratavam do tema da deficiência na sociedade.

Se há um investimento necessário para que uma parcela deste segmento possa ser incluída com maior qualificação profissional, também há efeitos produzidos pelo círculo virtuoso que interessa a todos: aprendizados que a exclusão ou apartação não permitiam que fossem realizados; oportunidade de todos de rever posturas; oportunidades para tornar suas empresas mais acessíveis a todos e, do ponto de vista econômico, a ampliação do mercado interno.

Hoje ainda temos menos de quinhentas mil pessoas inseridas no mercado de trabalho por meio da legislação de cotas. Estou sendo generoso neste número para arredondar. Imagine quando tivermos dez milhões ou mais de pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho, ou seja, ganhando um salário, protegidas de muitas maneiras (fundo de garantia, plano de saúde etc.), deixando a informalidade com seus baixos salários, tendo oportunidades de se desenvolver na carreira, de constituir e manter família, de consumir melhor, de tirar férias, viajar, de estudar mais, de qualificar a oferta e aquecer mercados de produtos, serviços e atendimento que as considerem? Basta pensar sobre onde estão hoje e em quais condições para ver a importância deste salto qualitativo para elas e para toda a sociedade.

Em tempos de crise ou de prosperidade, nenhuma empresa pode desconsiderar o mercado interno. Tudo que coloca barreiras para o desenvolvimento do mercado interno não faz muito sentido, gera custos imensos para as empresas e para a sociedade. Tudo que contribui para o enfrentamento e erradicação de barreiras pode gerar ganhos significativos para todos, não apenas financeiros, lucro, mas também no campo dos aprendizados para sermos uma sociedade melhor, mais inclusiva, respeitosa e sustentável.

Assim, empresas que choram por terem que investir na inclusão de pessoas com deficiência, deveriam se lembrar de que estão participando ativamente na construção deste circulo virtuoso no qual seu funcionário passa a ser também seu consumidor ou cliente, assim como é cliente de outras empresas, aquecendo a economia de muitas maneiras. Há quem pense tão pequeno e que é tão imediatista que, mesmo diante das evidências, prefere reclamar e delegar a prazerosa tarefa de investir em seu próprio mercado interno para o Estado, para as ONGs, para as famílias ou para as próprias pessoas com deficiência.

Felizmente há sinais de sanidade no mundo empresarial atual e para percebê-los basta prestar atenção nas empresas que cumpriram a legislação de cotas. O que as motiva, como conseguiram realizar o que outras dizem ser impossível, como lidam com a diversidade e que impactos a inclusão está gerando na empresa? É um assunto que eu gostaria de ver tratado em alguma revista que fala do mundo empresarial, negócios, economia. Quem sabe este artigo não vai parar dentro de uma delas?

Medindo tendências em nossa política

Por Humberto Dantas – doutor em ciência política

Presidencialismo de coalisão é um desses termos que tendem a povoar os discursos de pessoas que pretendem mostrar domínio sobre o funcionamento da política brasileira. Dentre diversas análises possíveis, compreender a relação entre os poderes Executivo e Legislativo nos leva a necessária composição partidária capaz de garantir governabilidade. Nesse caso, prefeitos, governadores e presidentes fazem “ofertas tentadoras” em busca de disciplina partidária no interior do parlamento em torno de projetos de seu interesse, domando bancadas. O movimento poderia ser louvável se o apoio se desse por razões ideológicas ou substantivas, mas não é exatamente isso que acontece em boa parte dos casos. Tanto não é que conhecemos bem o preço, lícito ou ilícito, dessa adesão: mensalão, jatinhos com malas de dinheiro, distribuição de cargos, criação de postos para acomodação, liberação de verbas orçamentárias etc. Como em algumas esferas de poder os recursos tendem “ao infinito”, assistimos muitos partidos procurando o Executivo para oferta de apoio. Não à toa dizemos que no Brasil as legendas são governistas. Reportagem de 2011 da Revista Época chegou a mostrar que existem partidos, por exemplo, que apoiam os governadores em quase todas as Assembleias Legislativas do país, sendo o caso mais emblemático o do PSB.

Com base nesse cenário que inspira baixa moralidade, uma coisa é certa: os partidos têm respeitado seus acordos e em boa parte dos casos se mantêm fiéis aos “seus governos”. Assim, há quem diga na ciência política, a despeito do preço que se paga por isso, que o nosso sistema partidário funciona muito bem.

Com base nessa afirmação e com o intuito de desvendar a movimentação das bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados, o portal do jornal O Estado de S. Paulo lançou o Basômetro, ferramenta que tem como objetivo medir o tamanho da base de apoio do governo federal em votações nominais ao longo do governo Dilma Rousseff. A ferramenta é extremamente atraente do ponto de vista gráfico e permite diversos exercícios. O jornal promete, para breve, votações no Senado e um alargamento do período histórico de tais resultados para os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva. Para cientistas políticos o brinquedo tornou-se um verdadeiro parque de diversões. Para o cidadão comum, além de matar certas curiosidades, é possível verificar o comportamento de políticos escolhidos, admirados ou coisas do gênero. Não resisti, por exemplo, a ver quem é Tiririca em suas votações. Que tal fazer esse teste? Paulo Maluf, por exemplo, está ao lado de Dilma. No PT, os mais oposicionistas votam contra o governo em no máximo 10% das posições, ou seja, a disciplina e o enquadramento são grandes. O mesmo não podemos dizer do PMDB, que tem seus rebeldes, sobretudo em votações específicas, como aquela do Código Florestal. Na oposição, chama a atenção o movimento dos dissidentes do DEM antes de migrarem para o PSD. Começam dando sinais claros de que adeririam ao governo, algo que fazem com maior ênfase quando a nova legenda surge e hoje já se espalham da forma como Kassab sugeriu: aderem quando querem e se rebelam quando têm vontade – será mesmo assim? Por fim, merece um olhar acurado o comportamento do PSDB. Em linhas gerais está contra o governo, mas precisa um partido de oposição sempre votar contra? Não necessariamente. Estranha, no entanto, que pontualmente alguns parlamentares tucanos sejam mais governistas. É o caso de Walter Feldman, que apoia Dilma em mais de 50% de suas posições. Com tal ferramenta, fica fácil encontrar tendências, e quem sabe desvendando detalhes de nosso presidencialismo de coalisão ele não se torne mais… claro!

Basômetro: http://estadaodados.herokuapp.com/html/basometro/

Onde está a deficiência?

Por Mara Gabrilli

Já imaginou como um morador de uma favela na periferia de São Paulo, nascido com paralisia cerebral – com comprometimento de fala e movimentos – faz para chegar até a escola? Com ruas repletas de morros, esgoto a céu aberto, sem asfalto ou sequer um ponto de ônibus próximo a sua casa?

Dono de uma deficiência física, que na teoria não o limitaria de frequentar uma escola, esse menino, com muito esforço de seus pais, parentes e vizinhos, não será sucumbido a passar 24 horas do seu dia olhando para o teto do seu quarto, onde passará parte de seu tempo deitado. Infelizmente, por mais esforço que a família inteira faça para que esse garoto tenha uma vida digna e saudável, o meio inacessível ainda é limitante.

 Agora, pense em uma criança nascida com uma deficiência intelectual e moradora de uma pequena cidade interiorana do Nordeste. De família simples e sem grandes recursos, dificilmente, a pequena frequentará uma escola onde será tratada com uma aluna igual, com capacidades de desenvolver suas potencialidades como qualquer outra. Raramente, terá acesso a uma terapia ocupacional, fisioterapia ou qualquer outro atendimento que o valha. Também não serão raras as vezes que ouvirá nomes pejorativos como retardada ou mongoloide.

Pode parecer paradoxal, mas casos assim ainda ocorrem no País que é hoje a sexta economia do mundo. Das grandes cidades como São Paulo até pequenos municípios afastados, a deficiência continua ligada às condições às quais as pessoas são submetidas a viver (ou sobreviver). Está no meio, que não as atende como cidadãs.

Costumo muito usar como exemplo um dado da Organização das Nações Unidas que trata de uma antítese em várias nações: o sub desenvolvimento e ocrescimento das deficiências. Segundo a ONU, quanto mais recursos e tecnologias uma nação oferece, menos deficiência existirá em sua população.

Em países menos desenvolvidos, aqueles com o índice de desenvolvimento humano (IDH) muito aquém do esperado, a população conta com um maior número de cidadãos com deficiência e, consequentemente, com um Governo que dispensa muito mais gastos para atender a esse contingente. Para se ter uma ideia, em países de alto IDH o número de pessoas com deficiência pode chegar a apenas 1%. Hoje, o Brasil ostenta os seus mais de 23%. Prova de que crescer economicamente não é sinal de prosperar socialmente.

Essa mesma constatação, que não é nova para ninguém, além de deflagrar o quão o desenvolvimento de um País está ligado à incidência de deficiências em sua nação, mostra que muitos destes governos tendem a perder tempo com medidas paliativas ou assistencialistas, ao invés de investir em ações preventivas – que representam menos gastos para o Estado e se mostram muito mais eficazes à população, principalmente àqueles cidadãos, que estão à margem do acesso a serviços de educação, saúde, moradia e trabalho.

É preciso deixar claro que deficiência não é sinônimo de doença, mas algumas doenças podem, sim, causar deficiências, assim como os acidentes de trabalho, de trânsito e de mergulho em água rasa – este último a principal causa de lesão medular na época do verão.

Infelizmente, a população que mais carece de atendimentos básicos é também a mais vulnerável a apresentar deficiências. Segundo dados do Banco Mundial, a pobreza e seus agravantes são um dos causadores de grande parte das deficiências no mundo. Prova disso está nos países em desenvolvimento, onde 80% das pessoas com deficiência vivem em situação de vulnerabilidade social.

A falta de saneamento básico, atendimento de saúde adequado, pouco acesso à informação e outros problemas decorrentes da pobreza acarretam um maior percentual de deficiência na população. Atualmente, estima-se que 90% dos casos de deficiência visual estejam concentrados em nações em desenvolvimento e a maior parte poderia ser evitada. O glaucoma e a catarata são as principais causas de cegueira na população brasileira adulta. Já na infância, estes problemas são decorrentes de baixa nutrição e infecções.

Este elevado número de pessoas com deficiência, que não é alvo de nenhum tipo de política pública, sofre também do abandono e exclusão social, muitas vezes por falta de conhecimento de familiares e vizinhos. Muitos dos movimentos populares que operam no interior destas comunidades carentes encontram enormes dificuldades para atuar com foco nessa população. Isso ocorre devido ao desconhecimento e preconceito, muitas vezes da própria comunidade local. Daí a importância de levar a informação para todos os lugares, frente que não me canso de lembrar, inclusive, já falada aqui neste blog.

O Brasil está crescendo e tomando recortes de potência mundial. Mas, quando pensamos no desenvolvimento humano, ainda estamos estagnados. Enquanto existirem pessoas que não podem sair de suas casas para estudar, ter acesso a saúde ou mesmo trabalhar, não podemos nos chamar de potência mundial. Ninguém conhece o mundo sem antes sair do próprio quintal.

Sinal amarelo na economia

Por Guilherme Bara

A Presidenta Dilma anunciou recentemente duas medidas que tem o objetivo de baixar os juros que financiam o investimento no Brasil.

O anúncio de reduzir as taxas do crédito pessoal e imobiliários dos bancos federais Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil foi feito com pompa e estardalhaço com direito a pronunciamento em rede nacional de rádio e TV.

Dias depois, sem o mínimo alarde, foi anunciada a impopular, mas necessária mudança de regras na fórmula de remuneração da poupança.

Deixamos a estratégia de comunicação do governo federal em segundo plano, e vamos analisar o significado real destas iniciativas, positivas, porém sintomáticas.

Estas ações, mais que uma medida desenvolvimentista, é um claro sintoma de que o governo percebeu o sinal amarelo na economia do país.

A indústria nacional, a despeito dos diversos incentivos fiscais concedidos, empacou.

O Brasil cresce às custas do setor de serviços, o que não é suficiente para pensarmos em um crescimento sustentado no médio prazo.

O câmbio há muito desvalorizado e a pobre infraestrutura logística do país, somada ao sistema tributário caótico, faz com que o Brasil sofra um processo silencioso, até então, de desindustrialização, mascarado pelo crescimento da economia que se baseia, fundamentalmente, no setor de serviços.

As medidas tomadas são positivas, mas se forem tidas pela presidenta como suficientes para frear a tendência de desaquecimento da economia vão ter impacto modesto e temporário.

O Brasil precisa encarar o desafio que tem para eliminar o gargalo de sua infraestrutura de transporte que agrega custo na cadeia de valor de seus produtos, além de ter de simplificar e dar segurança no ponto de vista tributário aos potenciais investidores.

As dezenas de tributos e as mudanças de regras e alíquotas de diversos impostos vão na contramão desta simplificação.

Outra medida que terá que ser tomada a fim de viabilizar a baixa da taxa de juros no longo prazo é a redução dos gastos públicos. Quanto maior forem os gastos públicos, mais empréstimos o governo terá que tomar no mercado para financiá-lo, assim criando uma pressão para o aumento da taxa de juros.

Em relação ao corte de custos, o governo não dá nenhum sinal que está disposto a enfrentar este problema. Enfrentar esta questão de frente significa, entre outras coisas, diminuir a quantidade de cargos públicos que servem para acomodar a “companheirada”, além de ser moeda de troca com os partidos da base governista.

Os cortes nos gastos públicos também implicam em diminuir as verbas para os deputados realizarem obras em suas regiões, obras estas que, muitas vezes, sofrem denúncias de superfaturamento a fim de fazer Caixa 2 para financiar campanhas eleitorais de grupos políticos.

Atualmente o crescimento da economia do Brasil é a menor entre os países do “BRICS” . Para quem prefere a comparação no nível regional, vale dizer que entre os países da América do Sul, também estamos na rabeira. É hora então da presidenta Dilma aproveitar sua imensa popularidade e a enorme base que tem no Congresso para fazer as medidas que todos, inclusive ela, sabe que são urgentes para que possamos ter um crescimento, de fato, sustentável.

Qual é sua opinião? – Comércio nos faróis

Faz parte da cultura do brasileiro comprar produtos nos faróis.

Há algum tempo a prefeitura de São Paulo realizou uma campanha  para que as pessoas não mais comprassem produtos nos cruzamentos. A justificativa foi que a “rua” não deve ser alternativa de trabalho para ninguém.

Você é a favor de comprar produtos nos faróis?

Você é a favor de comprar produtos nos faróis?
Sim. Muitas pessoas só tem esta alternativa de renda e desta forma diminui-se a possibilidade delas partirem para o crime.
Não. O ambiente da rua expõe os ambulantes a diversas armadilhas além de deixar o ambiente mais inseguro para todos.
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Reforma urgente

Por Ricardo Montoro

Lendo no estadão o excelente artigo de Marco Antonio Villa “Meu Brasil brasileiro” resolvi fazer algumas reflexões a respeito do que está ocorrendo na política brasileira atual. É triste constatar que as coisas vão de mal a pior.

Não quero aqui negar os feitos econômicos e o crescimento de uma classe consumidora que recém ingressou no sistema. Quero aqui chamar a atenção das práticas, que independentemente de partidos ou agremiações  estão praticando. Nunca antes nesse país se viu tanta bandalheira, tanta corrupção e tanta impunidade. Até hoje os mensaleiros não foram julgados, muitos aliás reeleitos para seus cargos. Nunca se viu tanto para privilegiar os executores deste ou daquele serviço.

Com certeza muitos escândalos vão surgir com a recém instalada CPMI (que tem como um de seus membros justamente um ex presidente que foi caçado por corrupção!!!). A imprensa diariamente aponta o que parece não ter fim, uma cadeia de atos e ocorrências que deixa toda classe política sob suspeita. O congresso perde cada vez mais credibilidade. Cargos são preenchidos para compor a tal governabilidade e fortalecer esse ou aquele partido.

Parece que todo mundo perdeu a vergonha e agem sem a preocupação de ocultar os maus feitos. O sistema vigente me parece falido. Os bons costumes esquecidos a política como arte e ciência do bem comum é muito pouco praticada e a população perde o sentimento da indignação, não participa do processo político, muitos jovens perderam a chance de pintarem suas caras e saírem as ruas.

Ouço um grande desinteresse pelas próximas eleições, uma forte crítica a uma oposição calada e amedrontada e é justamente essa oposição que deveria nos dar alguns exemplos e tomarem a frente com relação as reformas tão necessárias. Por que não nos organizamos para exigir a realização da reforma política? O que estamos esperando para empunhar a bandeira do voto distrital e do financiamento público das campanhas? O que estamos esperando para convocar a sociedade civil a participar desse novo momento, e serem agentes do desenvolvimento? Esquecemos a bandeira do parlamentarismo?

Existe um logo caminho a ser percorrido e tenho a certeza que sem esse esforço conjunto de pessoas de bem a situação política desse nosso Brasil continuará com seus vícios e problemas envergonhando as novas gerações.

Como a ciência, a arte, a filosofia

Por Soninha Francine

                 Aficionada por política que sou, acredito que a política precisa do envolvimento do maior número possível de pessoas para que seja realmente representativa e representante do conjunto da sociedade, em toda sua diversidade e complexidade (não vou caçar palavras para evitar o eco, desculpem! rs).

                 A menos que inventem um modo melhor de resolver conflitos e escolher representantes e lideranças (volto a isso depois).

                A partir dessa afeição e convicção, sempre incluí entre as minhas causas a tentativa de atrair mais gente para a tal da política. Jovens principalmente, mas não porque eu acho que eles são os menos interessados, como se convencionou dizer – os adultos também não são muito interessados não… Mas sim porque trabalhei em veículos de comunicação (MTV, TV Cultura) dos quais os jovens eram os principais espectadores… E mais dispostos a ouvir um VJ/apresentador do que um professor ou político rsrs.

                No começo, eu ficava no básico: “Você pode não gostar e não se interessar por política… Mas ela vai ter muita influência na sua vida assim mesmo. Do buraco na rua à qualidade do ar que você respira – literalmente”. Chegando à conclusão óbvia: se você não acompanhar, não participar, pior pra você.

                Hoje em dia, eu tenho ido além disso. Além de chamar a atenção das pessoas para a “utilidade” da política, quero convencê-las também da sua… nobreza. Meio ingrato, né? Mas como eu ACREDITO nisso, fica mais fácil rs.

                Política é o meio que os humanos desenvolveram, ao longo de séculos de civilização para resolver disputas, conflitos, divergências. E para eleger representantes e líderes. No começo, nossas disputas eram resolvidas no tacape. Os mais fortes, certamente, lideravam. Hoje somos mais… civilizados.

                Outros animais se organizam em sociedades, algumas espantosamente complexas. Mas no formigueiro, cupinzeiro ou colmeia, por exemplo, as tarefas são atribuídas geneticamente… Soldados, operários, rainha… Não são os indivíduos que escolhem. E, exceto nos desenhos animados, não há planos, ambições, projeto de vida.

                Nas sociedades de mamíferos, há disputa pela liderança. Dois machos saem na porrada e o mais forte comanda o bando… Dúvidas quanto ao direito a determinado território também são resolvidas assim.

                Nós, humanos, ainda resolvemos algumas coisas assim, na porrada. Até mesmo nas casa legislativas (#vergonha). Mas TEMOS instrumentos mais sofisticados. Podemos argumentar, debater, fazer concessões ou não, decidir por consenso ou votação.

                A política é uma construção e uma conquista da humanidade tanto quanto a arte, ciência, letras, ciência, tecnologia, filosofia. Em torno de todas elas pode haver disputas pouco civilizadas, algumas de suas aplicações podem ser bastante questionáveis, mas são elementos que nos distinguem dos outros seres vivos com quem compartilhamos este condomínio (= planeta).

                Portanto… Política é nobre sim! Embora “nobreza” seja sinônimo, historicamente, de algumas das piores práticas sociais e políticas rsrs. Vamos dizer, então, que a política é bela. Por mais penosa, deturpada, repulsiva que seja às vezes. Não foi ela que foi uma má ideia. Mas sabe como é, nós humanos conseguimos transformar quase qualquer coisa em uma arma, mas política é o tipo de disputa que é o CONTRÁRIO de guerra.

                Esqueçam a pólvora, desistam da fissão nuclear… Voltemos às palavras. Alguns querem recuperar seu prestígio invocando uma “nova política”. Talvez seja bom recuperar o que ela tem de mais antigo.

Soninha Francine, ex-vereadora, futura… Bom, isso é o que veremos rs.  

Qual é sua opinião? – Adoção por casais homossexuais

O reconhecimento da união civil de casais homossexuais traz, mais uma vez à tona, uma polêmica questão: a adoção de crianças por casais do mesmo sexo.

Você é a favor da adoção de crianças por casais homossexuais?
Sim. As crianças terão uma família, assim recebendo melhores condições e mais afeto que recebem nos orfanatos e demais instituições cuidadoras.
Não. A presença da figura do pai e da mãe são fundamentais, e ser criada por um casal do mesmo sexo pode trazer danos à formação psicológica da criança.
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