Lição das urnas… um breve ensaio

Por Humberto Dantas – Doutor em ciências políticas

 

Aos mais apressados as urnas ofertaram as seguintes lições: Lula é um estrategista vencedor que fez de Haddad prefeito de São Paulo e o PSDB é um partido derrotado. Radicalismos nunca geram bons debates, sobretudo num país em que boa parte de quem acha que analisa política o faz com bandeirinhas e alegorias partidárias em mãos.

 Lula é relevante para a política nacional. Um cabo eleitoral que respira poder e adora subir num palanque. Por vezes ajuda, em outras atrapalha. O fato é que se envolveu em diversas campanhas pelo país, e em alguns lugares não dá pra afirmar que o PT foi bem. Em Recife a presepada foi imensa, a ponto de perder um quadro importante como Maurício Rands e desagradar o atual prefeito da cidade, impedido de buscar a “natural” reeleição. Em Fortaleza o candidato petista bateu na trave, mas sucumbiu diante de um PSB que derrotou o PT em outros locais estratégicos, incluindo Belo Horizonte, onde o ex-ministro e ex-prefeito Patrus Ananias não decolou, a despeito do histórico imaginado como relevante e dos mais de 40% de votos. De Salvador veio a derrota mais sofrida, e mais uma tentativa de Pelegrino resultou na vitória de ACM Neto, que carrega o carlismo no ideário petista e o DEM, que Lula queria ver morto. Algumas derrotas, no entanto, são estratégicas. Em Campinas, Pochmann levou a eleição ao segundo turno largando como desconhecido por um partido que a Câmara Municipal expurgou do poder faz alguns meses no escândalo protagonizado por prefeito do PDT e vice do PT. Assim, vitória maiúscula de Lula ocorreu em São Paulo, mas a despeito da força do fiador do ex-ministro chamado de poste, a cidade apontava nas pesquisas que desejava mudança e o PT tem historicamente um percentual de votos que o coloca no segundo turno desde 1992. Lula é, de fato, um grande vencedor?

 Por outro lado, há quem entenda que o PSDB é um dos grandes perdedores dessas eleições. Paraná e Goiânia demonstram a dificuldade de os governadores da legenda irem adiante com seus indicados. Em São Paulo talvez seja perdedor, mas na capital nunca venceu as eleições além do pleito de 2004, sendo derrotado em todas as demais ocasiões com candidaturas próprias – três com Serra, duas com Alckmin e uma com Fábio Feldmann. O lamento em São Paulo é mais pessoal do que partidário. Assim, como perder algo que pouco teve? Derrota mais sofrida ocorreu em cidades grandes como São José dos Campos e Jundiaí, onde governava fazia anos. E em Sorocaba, um ex-tucano quase estragou a festa. Em Guarulhos, Osasco e no ABC o partido não decolou novamente. Em Diadema, o legado do PT foi desfeito por um político do PV que andou nas fileiras do PSDB, mas de lá saiu vencido pela truculência dos caciques. Esse PSDB bandeirante talvez tenha motivos para se preocupar, mas como reclamar da vitória do PS(D)B em Belo Horizonte, fortemente bancado por Aécio Neves? Como desprezar a capacidade de o partido conquistar espaços em Manaus, capital de um estado onde Dilma levou mais de 80% dos votos em 2010? Como ignorar a força em Alagoas e em Belém? Onde tucanos assistidos pelos governadores ampliaram o espaço sob a representação do partido. O PSDB precisa olhar tais resultados e aprender a ser nacional como partido.

 Diante dos fatos, em eleições municipais, com tantas questões em jogo, é sempre possível enxergar aspectos positivos e negativos nas ações dos principais agentes. Mas uma coisa é certa: para 2014, a exemplo do que venho dizendo desde 2010, olho no PSB. E até a próxima eleição!

Aceptar la deficiencia

Por Guilherme Bara

 

Cuando perdemos la vista a lo largo de la vida, principalmente durante la adolescencia, muchas veces, sufrimos con el principal obstáculo para adaptarnos y convivir bien con esta nueva situación, el auto-prejuicio.

 Las personas con deficiencia adquirida no están libres de uno de los sentimientos inherentes al ser humano: el prejuicio.

 Proyectamos en la sociedad nuestra propia visión con relación a la deficiencia. Nuestra dificultad de aceptar lo diferente, de hacer evidente una dificultad, de aceptar a las personas fuera de lo común.

 Criados en una cultura excluyente, en la que el mundo es protagonizado por super hombres y mujeres, muchas veces tardamos en encontrar el camino alternativo para hacer las cosas con naturalidad. Leer usando braille, pedir ayuda para encontrar algo o andar con auxilio de la guía, son aptitudes que negamos en pro de una supuesta normalidad, de forma que sea aceptada por la sociedad y por nosotros.

 Negamos la ayuda, decimos no al recurso, ignoramos herramientas por considerarlas como símbolos de una situación de inferioridad, de incapacidad.

 Buscamos lo común para ser aceptados, para aceptarnos a nosotros mismos.

 Insistimos en fingir que somos lo que no somos.

 Pero llega un momento, por suerte, en que todo sale mal. Tropezamos escandalosamente en el escalón que fingimos ver, piropeamos a la chica equivocada, entramos por la puerta que estaba cerrada. Solo en ese momento sentimos el dolor del cambio, un dolor profundo que nos hace parar para reflexionar, parar para buscar un nuevo camino. Nos hace pensar si somos más grandes o pequeños que los símbolos, de los que insistimos en huir.

 Antes o después, con menos o más dolor, encontramos el camino. Nos damos cuenta de que más grande que cualquier símbolo es la persona y sus aptitudes; nos damos cuenta de que no engañábamos a nadie, y entonces comenzamos a asumir nuestra situación y los recursos para tener plenitud en nuestras acciones.

 Quien dependía de alguien para leer el texto, pasa a usar el braille o el lector de pantalla; en vez de pedir ayuda para ir hasta la esquina, andamos con autonomía usando un bastón; preguntamos donde está en vez de disimular para buscar. Cuando asumimos los recursos nos damos la oportunidad de ser  capaces.

 El primer paso para la inclusión es incluirnos a nosotros mismos, ya que la aceptación de los otros pasa, inicialmente, por nuestra propia aceptación.

Por que Serra é o mais preparado?

Por Floriano Pesaro

 

Chegamos à etapa decisiva das eleições municipais de São Paulo. Impossível não abordar este tema e ressaltar o porquê José Serra será o melhor Prefeito para nossa cidade.

Serra sem dúvida nenhuma é hoje o político brasileiro mais identificado com a cidade de São Paulo. Serra personifica a devoção ao trabalho, a solidariedade com o próximo e a determinação inquebrantável que são marcas profundas do povo paulistano. E o povo de São Paulo vê refletidas em Serra essas suas qualidades; não à toa, nas últimas três eleições que disputou – para prefeito, governador e presidente – Serra obteve mais de 50% dos votos da cidade.

Em sua primeira gestão à frente da prefeitura de nossa cidade, Serra acabou com a taxa do lixo, criada por Marta Suplicy e isentou da taxa de iluminação pública os moradores de ruas não iluminadas; construiu 46 novas escolas, substituindo outras 44 em condições inadequadas.

 Serra também criou programas inovadores na área social, que beneficiaram milhares de paulistanos carentes e salvaram centenas de crianças do trabalho infantil. A Campanha “Dê mais que esmola, dê futuro” encaminhou para escola, no turno e contra-turno, mais de 4 mil crianças que estavam nos cruzamentos da cidade. Melhorou a vida de famílias muito carentes com atenção integral, atendendo idosos, adolescentes e pais no Programa Ação Família – viver em comunidade. Com o Programa São Paulo Protege, moradores de rua e crianças abandonadas nas regiões mais centrais da cidade foram encaminhados e tratados em modernos abrigos e confortáveis albergues com atenção psicossocial. Nas áreas do desenvolvimento humano integral, Serra criou na cultura  a Virada Cultural. Na saúde, firmou novamente convênio com a FURP, retomando a fábrica de remédios do Governo do Estado de São Paulo, que passou novamente a fornecer remédios à prefeitura. Integrou o Bilhete Único ao Metrô; executou o maior plano de recapeamento e pavimentação de ruas da cidade e foi o responsável pelo Rodoanel Mário Covas, com 57 km de extensão e fundamental para a nossa cidade, que ainda sofre com o trânsito cada vez mais saturado.

 Nosso candidato tem solidez, experiência e capacidade técnica para comandar a maior cidade de nossa nação.

Com uma trajetória de vida que só demonstra a seriedade de seu trabalho, Serra, já foi líder estudantil, Secretário de Planejamento de nosso estado, na gestão do Governador Franco Montoro, foi Deputado Federal e Constituinte – à época da Assembleia Nacional Constituinte.

 Na constituinte, Serra foi relator da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças. Foi o constituinte que conseguiu o maior percentual de aprovação de emendas, conseguindo aprovar 130 das 208 que apresentou. Uma delas, a de nº 239, instituiu o que veio a ser o Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, para o financiamento do seguro-desemprego com uma fonte de recursos sólida e permanente, fazendo com que o benefício começasse a ser efetivamente pago no Brasil.

 Foi reeleito deputado federal em 1990, com cerca de 340 mil votos, a maior votação do estado. Logo em seguida,  em 1994, foi eleito senador com 6,5 milhões de votos, muito à frente do segundo colocado, Romeu Tuma.

 Então, José Serra assumiu o Ministério de Orçamento e Planejamento, no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Revolucionou o acesso aos medicamentos em todo nosso país, com a aprovação da Lei de incentivo aos medicamentos genéricos. Foi apontado pela ONU como o melhor Ministro da área da Saúde devido ao sério e eficaz programa de combate à AIDS  –  estudado e copiado até hoje por outros países.

 Organizou o Sistema Nacional de Transplantes e a Central Nacional de Transplantes. Promoveu milhares de cirurgias por intermédio de mutirões, combatendo doenças como, por exemplo, a catarata. Introduziu a vacinação dos idosos contra a gripe, eliminou doenças como o sarampo e criou a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

         Serra foi também governador do estado de São Paulo – eleito em primeiro turno, com 12.381.038 votos, correspondente a 57,93% dos votos válidos. Na ocasião, fui seu Secretário Adjunto da Casa Civil e integrei um governo austero, cujas prioridades eram:

 – o Rodoanel Mário Covas, a expansão do Metrô, a modernização da rede de trens da grande São Paulo no projetoExpansão SP, recuperação de estradas vicinais, expansão das FATECs/ETECs e introdução das AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades), além da construção de dez novos hospitais, entre eles o Instituto Lucy Montoro.

 Por todos esses motivos não vacilo em afirmar: José Serra é, sem dúvida nenhuma, o político brasileiro mais identificado com a nossa cidade.

 Sua trajetória é a prova de que a política, se conduzida com seriedade, honestidade e obstinação, pode fazer de fato a diferença na vida das pessoas.

 Por tudo isso, já teríamos razões suficientes para celebrarmos a entrada, na disputa eleitoral, de um homem público com esse volume de realizações por São Paulo. Mas existe uma razão a mais, que faz a entrada de Serra nessa disputa ainda mais oportuna e, eu diria, essencial para as forças de oposição no país. É que está hoje em curso no Brasil um projeto que visa a garantir a hegemonia de um único partido em todo o território nacional.

O PT vê a eleição municipal deste ano em São Paulo como a cabeça de ponte para a dominação política do Estado. Isso já foi dito muito claramente pelos dirigentes do partido. O que o PT quer é usar a Prefeitura para tentar o que nunca conseguiu: conquistar o Governo do Estado de São Paulo, o estado mais rico da Federação.

 Acredito que a cidade de São Paulo não vai permitir isso. A cidade e seus onze milhões de habitantes não podem ser tratados como meros instrumentos de um projeto político cujo horizonte é reduzir à irrelevância as forças da sociedade que se opõem a ele.

 Assim, é também para resistirmos a essa investida brutal do PT sobre São Paulo que a candidatura de José Serra se mostra fundamental. Serra é o candidato que tem a expressão e a estatura necessárias para enfrentar o jogo duro que virá nessa campanha. Sua vitória será não só a vitória da competência, do trabalho e da seriedade, como principalmente a vitória daqueles que acreditam na vitalidade da democracia brasileira.

 É por isso, senhor presidente, que como líder do PSDB e paulistano estou certo de que Serra é o prefeito que nossa cidade precisa.

 Floriano Pesaro, sociólogo, vereador e Líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo

O crime compensa

Por Guilherme Bara

 Estamos a poucos dias do 2º turno das eleições.

E se as pesquisas se confirmarem, mais uma vez, o brasileiro deixa em segundo plano as questões éticas na hora de escolher seu candidato.

Ouvimos muito que o baixo acesso à educação faz com que a maior parte da população escolha seus candidatos com pouco embasamento técnico e moral, mas esta justificativa cai por terra quando, a cidade mais evoluída do país em termos econômicos e culturais sinaliza que o partido que, comprovadamente,  mais se envolveu em esquemas de corrupção nas últimas décadas será escolhido para tomar conta do terceiro maior orçamento do Brasil somente atrás do governo federal e do governo do estado de São Paulo.

E nem mesmo a desculpa da falta de memória funciona neste caso, já que o julgamento do “mensalão”acontece simultaneamente com o processo eleitoral.

A mensagem que fica é que a estratégia “vale tudo”do PT nas campanhas, incluindo a disseminação de informações mentirosas como o fato da prefeitura de São Paulo não ter aceito ajuda do Governo Federal para a construção de novas creches e a central de boatos como o que afirma que Serra, em caso de vitória,  expulsaria as pessoas pobres de suas casas nas favelas e que, inclusive, estaria por traz dos incêndios ocorridos recentemente em diversos barracos da cidade, se mostra vitoriosa.

Resta torcer por uma reviravolta ou, ao menos, que o último núcleo de resistência ao projeto de poder petista resista, no caso, o governo do estado de São Paulo.

Antes de dirigir, verifique sua dosagem alcoólica.

Por Floriano Pesaro

A cada treze minutos, uma família brasileira chora a perda de um parente morto em um acidente nas ruas ou estradas do país.

O Brasil ostenta o triste título de detentor de um dos mais altos índices de mortes no trânsito por habitante.

Na última década, o número de mortes subiu mais de 30% – e não se pode atribuir essa escalada apenas ao aumento da frota nacional (mais do que duplicada no período) e às lamentáveis condições das vias.

            40% dos acidentes com mortos envolve consumo de álcool.

Estudos recentes feitosem São Pauloe no Distrito Federal mapearam os casos de acidentes de trânsito com vítimas fatais. Em 40% dos episódios, a pessoa que morreu – o motorista, o passageiro ou o pedestre – havia consumido uma dose elevada de álcool. E, quando se fala em “dose elevada”, quase sempre se está falando mesmo é de grossa bebedeira.

Poderia enumerar outras tristes estatísticas que apontam de forma incontestável o quão nocivo é o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e o quão letal é a associação de álcool e direção.

Apesar de estarmos avançando consideravelmente na implementação de políticas públicas que buscam conscientizar a população sobre os perigos da associação de álcool e direção, o número de mortes no trânsito ainda é alarmante: aqui morrem mais pessoas em decorrência de acidentes de transito do que por homicídio. São Paulo ostenta a vergonhosa média de 4,3 mortes diárias no trânsito – para efeitos de comparação, Nova Iorque registra 0,4 mortes/dia.

 Até quando continuaremos achando esta situação normal?

Nossos jovens, que se reúnem nos postos de gasolina para o já tradicional “esquenta” para a balada e colocam em risco suas vidas e a de todos que cruzam seus caminhos.

 Para somar forças às inúmeras iniciativas que devemos tomar para rever essa brutal realidade, é que apresentei nesta casa o Projeto de Lei (PL) nº371 de 2011, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em nas lojas de conveniência e lanchonetes dos postos de gasolina.

 Mas não são apenas os nossos jovens que associam álcool à direção. Os adultos também se colocam nesta situação de risco com uma frequência considerável.

 Por isso, também tramita na Câmara de São Paulo, um segundo Projeto de Lei de minha autoria nesse sentido. O PL 44/12 visa obrigar casas noturnas, casas de shows, buffets, bares, restaurantes e estabelecimentos similares  – que vendam bebida alcóolica para consumo imediato – a disponibilizar a seus clientes bafômetros para a utilização gratuita.

 Passará a ser um direito de todo cidadão mensurar sua alcoolemia antes de tomar a decisão de dirigir.

 Os estabelecimentos deverão ainda colocar em local visível a placa: Seja sensato. Antes de dirigir, verifique sua dosagem alcoólica.

 A multa para os que não cumprirem a lei variará de R$ 2 mil a R$ 10 mil – sendo graduada pelo órgão competente conforme faturamento do local. No caso de reincidência, o valor dobrará e o alvará de funcionamento do estabelecimento poderá ser cassado, após segunda reincidência.

 Esta medida promove de forma eficaz a conscientização do motorista no momento crucial para sua segurança: a volta para casa.

 Usar a tecnologia já disponível e acessível – como o bafômetro – para segurança no trânsito já é prática comum em outros países.

Japão e Estados Unidos, por exemplo, já disponibilizam dispositivos que imobilizam o veículo caso o motorista esteja embriagado.

Atualmente, 19 estados norte-americanos obrigam infratores reincidentes a dirigir veículos que tenham o aparelho – e a arcar com os custos da instalação.

Enfim, a realidade precisa mudar. Mais do que promover blitzes fiscalizadoras e punitivas, cabe ao poder público promover maneiras eficazes de prevenir os acidentes de trânsito e manter em segurança todos os seus cidadãos. Por isso este Projeto de Lei é tão importante.

 Lembro do que dizem os meninos do Movimento Viva Vitão, fundado a partir da perda irreparável do jovem Vitor Gurman em um acidente de trânsito causado por uma motorista embriagada:

 Não espere perder um amigo para mudar a sua atitude!

 E acrescento: Seja sensato. Antes de dirigir, verifique sua dosagem alcoólica.

 Floriano Pesaro, sociólogo, vereador e Líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo