O Plebiscito e a volta de Lula.

Por Guilherme Bara 

A polêmica iniciativa da Presidenta Dilma em promover um plebiscito sobre a reforma política pode ser a grande deixa tão desejada por uma boa parte do PT para lançar Lula, já em 2014, novamente, candidato à presidência.

Um dos pontos que pode ser discutido no plebiscito, inclusive com apoio da oposição, é o fim da possibilidade da reeleição.

Neste caso Dilma ficaria impedida de se candidatar, deixando o caminho livre para que Lula disputasse o pleito.

Seria o melhor cenário para os defensores da candidatura de Lula já que o PT nem se quer precisaria justificar os motivos para a não candidatura de Dilma.

Violência na 3ª idade

 Por Mara Gabrilli 

A Organização das Nações Unidas instituiu 15 de junho como o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa.   A data foi definida para alertar a sociedade sobre o número crescente de maus tratos cometidos à população da terceira idade.

Para se ter uma ideia desta triste realidade, a cada 10 minutos, 1 idoso é agredido no Brasil. Em 70% desses casos o agressor é o próprio filho. Os dados são da Secretaria de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida, do Rio de Janeiro, em 2011.

A violência contra os idosos tem várias facetas: abandono, roubo, espancamento, humilhação, cárcere privado, violência física e psicológica são alguns exemplos das agressões cometidas. Medo, constrangimento e constantes ameaças são as principais causas que impedem a população idosa de denunciar esses delitos. As agressões ocorrem dentro de casa, de quem, teoricamente, mais se espera amor e proteção.

Como denunciar aquele a quem mais dedicamos cuidado durante uma vida? Quebrar o laço familiar é um desafio para as vítimas, que se calam diante de um muro intransponível. O idoso não consegue anular a relação parental com o agressor da família. Romper esse silêncio muitas vezes gera dor. Esse conflito interno explica porque 90% das denúncias de maus tratos são anônimas.

A expectativa de vida do brasileiro cresceu nos últimos tempos e hoje temos cidadãos conscientes e felizes aos 90 anos. Mas infelizmente, ainda falamos de uma minoria. É preciso maior cuidado do Estado com essa população. Hoje, temos diretrizes, serviços e órgãos que tem por objetivo proteger essa população, o Estatuto do Idoso, conselhos estaduais e municipais, delegacias de proteção e o Disk Denúncia (181). Mas sem a participação da sociedade e a consciência de cada um de nós, esse ideal de respeito não se constrói.

Ao final da próxima década, as pessoas maiores de 40 anos serão quase metade da população brasileira. Nossa nação vai envelhecer e precisaremos redobrar os (ainda poucos) cuidados com quem passou grande parte da vida prestando serviços e produzindo amor.

Fácil de compreender

Por Guilherme Bara 

Uma manifestação que tinha tudo para ser mais uma dessas manifestações que acontecem todas as semanas na frente da prefeitura, de repente deu origem à maior mobilização popular de nossa história recente.

No começo era liderado pelo MPL (Movimento Passe Livre), mas um mar de gente descolada de qualquer sigla tomou conta das ruas esvaziando a influencia de partidos e movimentos sociais.

Na maioria dos artigos e editoriais que leio, as pessoas dizem que não entendem bem o que está acontecendo. Dizem que é uma mobilização apartidária que tem um foco indefinido com objetivos muito abertos.

Compreensível a dúvida, pois mobilização deste tipo não é todo dia que acontece, aliás, no nosso caso, nunca aconteceu.

Mas não entender é estar um pouco descolado da realidade de nosso país.

O que temos é uma movimentação predominantemente da classe média, que em sua maioria já foi simpatizante do PSDB, hoje mais independente, que sempre percebeu que as coisas não estavam bem no país.

Nosso costume de contar a história apenas pelo olhar dos vencedores traz uma visão maniqueísta que despreza o sentimento de parcelas significativas da população.

Mesmo com todo o esforço publicitário do governo aliado com o aparelhamento de boa parte dos sindicatos e movimentos sociais, passando a imagem que “o país do futuro” se tornara “a bola da vez”, 44% da população disse nas últimas eleições para presidente que não estava de acordo com tudo isto.

É parte deste contingente que tomou as ruas, “dando uma banana” para os movimentos pelegos para dizer que não quer mais o país da propaganda, dos megaeventos internacionais feitos para os turistas e que quer sim o olhar para o nosso mundo real, onde os preços sobem a cada mês, onde o transporte público trata as pessoas como mercadorias, o atendimento nos hospitais faz chorar o mais insensível, onde a droga entra como quer e arrasa as famílias, os sonhos e a sociedade.

O Brasil quer algo diferente.

Este movimento ainda é de parte do Brasil, longe de ser a maioria, mas é o Brasil que sempre discordou do que está aí e agora aproveitou uma deixa para evidenciar seus sentimentos.

Onde vai dar, não sei, mas de fato, o projeto de hegemonia petista se vê ameaçado como nunca antes. Eles mesmos já perceberam o risco eminente e começaram a tomar ações em desespero como chamar a militância para participar das manifestações, mesmo depois da sociedade deixar claro que não aceitaria o uso político dos eventos. Não poderia dar em outra coisa. Os petistas foram repelidos das ruas ficando com a imagem ainda mais arranhada.

Embora a continuidade das manifestações seja incerta, o sentimento de insatisfação tende a aumentar. A massa ainda alheia aos acontecimentos, deve sentir nos próximos meses o impacto da face mais perversa da política do “faz de conta”de nosso governo que é o aumento do desemprego.