Crime contra a saúde das brasileiras

Por Mara Gabrilli

Uma recente portaria (nº 1.253/13) diminuiu o repasse de verbas da União aos municípios para realização da mamografia, restringindo o acesso às pacientes entre 50 e 69 anos. Caso queiram realizar o exame em mulheres de até 49 anos, as prefeituras receberão verba apenas para a realização da mamografia unilateral, ou seja, exame realizado em um seio. É o mesmo que o SUS oferecer a prótese de uma perna só para uma pessoa amputada das duas.

O Governo está retrocedendo um serviço que deveria ser expandido e aprimorado, por exemplo, às mulheres com deficiência, que encontram enormes dificuldades para realizar o exame por falta de equipamentos adaptados em todo o País. Essas mulheres ficam sem acesso aos serviços de saúde comuns como a realização de exames preventivos a doenças como câncer de mama e colo do útero. Os postos de saúde não oferecem espaços acessíveis, tampouco equipamentos adaptados. E as dificuldades são ainda maiores para ter acesso a um pré-natal.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, cerca de 25% dos casos de câncer de mama no Brasil são detectados nas mulheres com idade entre 40 e 50 anos. Quando restringimos o acesso a qualquer ação de prevenção, estamos automaticamente aumentando gastos futuros, uma vez que o custo de um tratamento é muito superior ao de um exame. Sem contar no prejuízo indelével que um câncer pode causar a vida de uma família inteira.
A mesma gestão que aprovou a legislação que obriga o Sistema Único de Saúde a realizar a mamografia em mulheres acima dos 40 anos é a que agora subtrai esse direito. Mulheres ficarão doentes enquanto o Governo comanda uma gastança absurda e injustificada, com o Planalto desembolsando fortunas em propagandas oficias. Tudo isso em uma nação, que, diga-se de passagem, é comandada por uma mulher.

Para reverter essa afronta à sociedade brasileira, a bancada do PSDB adotou uma série de medidas judiciais para reverter essa decisão absurda. E nossa indignação surtiu efeitos. O ministério editou a Portaria nº 126, de 24 de fevereiro de 2014, passando o procedimento para mamografia bilateral para rastreamento.

Recentemente, na Comissão de Seguridade Social e Família, toda bancada feminina subscreveu requerimento da deputada Carmen Zanotto para debater o tema. Meu compromisso neste debate é cobrar por mamógrafos acessíveis para mulheres com deficiência, uma demanda latente no Sistema Único de Saúde.

É lugar comum aos brasileiros a precariedade da saúde pública no país. Mas não podemos nos calar diante de uma decisão nefasta do Governo que levará o que está precário à beira da morte.