A diferença entre deficiência e incapacidade

Esse post já foi lido 48121 vezes

Por Guilherme Bara

 Se buscarmos qual é a primeira coisa ou expressão que nos vem à cabeça quando falamos em deficiência, na maioria das vezes termos como dificuldade, incapacidade, e falta de algo, serão os lideres em nossas mentes. E por que isto acontece?

Isto acontece porque, desde sempre, a sociedade discrimina e classifica as pessoas com deficiência usando os termos que citamos a pouco.

Na antiguidade, em diversos povos, as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência eram eliminadas (mortas) logo após seu nascimento.

Na Idade Média, as pessoas com deficiência eram isoladas, seja porque eram vistas como pessoas sem alma, seja porque eram, em alguns casos, vistas como divindades.

Nos palácios, podíamos encontrar pessoas com deficiência servindo como “Bobos da corte”.

Os conceitos que temos sobre as pessoas com deficiência, desta forma, não nasceram com a gente, muito menos com nossos pais.

Foram passados de geração para geração durante centenas, milhares de anos.

Isto justifica relacionarmos palavras e expressões negativas às pessoas com deficiência.

Mas deficiência e incapacidade são a mesma coisa?

Não. São coisas diferentes embora possam se relacionar.

Explico melhor.

A deficiência é algo inerente ao corpo, à condição física ou intelectual da pessoa, por exemplo, a cegueira e a síndrome de Down. Esteja o mundo acessível ou não, a deficiência está lá.

Já a incapacidade é o resultado da relação entre a deficiência e as eventuais barreiras do meio.

Uma pessoa cega, isto é, que tem uma deficiência, pode ou não ser capaz de mexer em um computador, dependendo da existência de algumas barreiras. Se o computador possuir um programa de leitura de tela, as barreiras desaparecem. A deficiência continuará lá, mas a incapacidade de mexer no computador não.

No caso de um “cadeirante”, a deficiência física estará lá, mas a incapacidade de transpor um degrau com autonomia vai depender da existência de uma rampa.

Assim temos a diferença entre deficiência e incapacidade.

As vezes a barreira que tem que ser transposta é a falta de um leitor de tela ou um degrau, porém há um outro tipo de barreira tão cruel ou mais que é a barreira de atitude.. É a barreira invisível que muitas vezes não dá a oportunidade de uma pessoa com deficiência mostrar sua capacidade. É o não sem explicação, é o desvio de direção das outras pessoas quando passam por ela. É a discriminação baseada em conceitos preconcebidos.

 O desafio de cada um de nós é contribuir para eliminar ou ao menos diminuir as barreiras físicas ou de atitude, para que uma pessoa com deficiência seja capaz de desempenhar uma tarefa, aproveitar uma oportunidade e, sobretudo, usufruir a vida.

Esse post já foi lido 48121 vezes

Comentários

  • Paula disse:

    Meu melhor amigo Guilherme (você sabe que também é irmão – leia a mais que você entederá porque friso mais uma vez isso!), esse texto me fez lembrar o que exatamente aconteceu esse final de semana. Estava comentando com alguns colegas sobre você, pois falava sobre seu blog… Falei, então, da minha admiração de você como pessoa, da familia linda que você tinha construído, da sua história profissional e do ser humano INCRIVEL QUE VOCE É (esse ultimo adjetivo, você não pode ver, mas coloquei em letras maiúsculas)… Quando entramos no seu blog e esses meu colegas leram que você é cego, imediatamente, eu ouvi assim: Coitado, que dó e coisas do gênero. Aí, você bem me conhece, virei uma fera, falei: “Coitado porque???” Ele tem uma trajetória profissional consistente e de sucesso, tem uma esposa que é uma companheiraça e linda e uma filha que é uma princesa, então porque coitado? Ainda falei: “Ele construiu muito mais que eu, você e muita gente.” Aff, surtei. As pessoas não entendem que uma pessoa é incrivel, é especial, é talentosa, é bem sucedida, por conta de sua inteligencia e carater e postura etc. Mais, se tem amigos, é porque é de fato legal… Enfim, sei que as pessoas continuam vendo pessoas especiais como café com leite e coitadinhas, também sei que continuarei me irritando com cada pessoa que se referir pessoas com deficiencia como sendo menos (definitivamente não é, pessoas menos são pessoas com desvios de carater, preguiçosas etc), mas essa conscientização que você sempre traz a tona em suas publicações, pode ter certeza, faz diferença e sei que um dia, chamaremos de deficientes pessoas sem carater, pessoas oportunistas, pessoal mal humoradas e preguiçosas, porque isso sim é ser deficiente!!! Um forte e grande abraço Paula

    • Guilherme Bara disse:

      Paulete, só você mesma! Muito legal… Não precisa ficar tào brava assim porque seus amigos não ffazem por mal. Fazem por falta de conhecimento. Mas sua atitude contribui para fazê-los pensar um pouco além do que eles estão acostumados a pensar em relação às pessoas com deficiência..

    • Mitchi dos santos disse:

      Amei teu comentario e faria o mesmo , mas como Guilherme frisou: falta de conhecimento das pessoas. Quero add o Gui no Face alguem manda o link? Meu face ta Mitchi dos santos. Abracos

  • Malu de Oliveira disse:

    Gui…. muito bom o seu texto.Em todas as discussões que participo, enfatizo a quebra desta barreira absurda, que é a atitudinal. Enquanto continuarmos a achar que somos diferentes, que somos mais capazes, que temos mais habilidades ou conhecimento que as pessoas com qualquer tipo de deficiência, estaremos confinados a morrer na ignorância e na intolerância. Atitude, não significa ajudar um cego a atravessar uma rua, ajudar um cadeirante a subir uma rampa… atitude é você lutar, concientizar e acabar com esses preCONCEITOS.
    Se o homem conseguiu derrubar o muro de Berlim, pq não conseguirá deburrar estas barreiras?!!!
    Parabéns, meu amigo!

    • Guilherme Bara disse:

      Ola Malu, para você que trabalha com a inclusão da pessoa com deficiência intelectual a questão da barreira de atitude é um aspecto bem importante mesmo. Obrigado pela participação!

  • Parabéns novamente Guilherme! É exatamente isso, embora muitos de nós, pessoas com deficiência, não o saibamos. Sempre somos educados para sermos menos, para alguns nada e, para outros, superdotados. Dificilmente conseguem nos “ver” como somos, do nosso próprio tamanho, humanos como os demais.

    Parabéns pelo seu blog, vou colocá-lo em meus links. Parabéns também para a Espiral… está bem acessível, palavra de especialista! MAQ.

  • Vandreza disse:

    Gui querido, que delicia de texto! Adorei e sou do time da Paula. Fico brava também e rodo a baiana com a ignorância do povo sobre a questão da deficiência. Vou confessar uma coisa que você já deve saber… estou morrendo de saudade de vc me enchendo a paciência no horário de trabalho… hahah beijo saudoso, van

  • Anderson disse:

    Gui bom dia!
    Como está?

    Primeiramente quero parabenizar e agradecer pelas indicações de leitura e pela criação deste blog, segundo que eu acho que você escreve muito bem, consegue sempre criar uma reflexão em seus leitores e pelo visto tem inúmeros fãs rs.

    Acho crucial estabelecer as diferenças de significados que as palavras possuem, pois muitas vezes falamos um termo generalizando e englobando outros. Sem contar que pelo menos para mim você é uma pessoa que me causa muita motivação e mesmo sem saber aprendo bastante contigo.

    Fico admirado com a forma que você escolheu enxergar o mundo e assim ajuda pessoas a ter uma visão diferenciada sobre diversos assuntos.

    Não sei se existe para você o termo incapacidade, pois percebo que busca sempre ir além e me surpreende muito, acho que é a primeira vez que conheci um deficiente visual tão ativo em minha vida, lembro no começo quando entrei na Basf eu ficava surpreendido a cada encontro, pois você tinha facebook, digitava no computador, usava o celular, tem blog, um senso de humor impressionante, fala outros idiomas, enfim qualidades que não acabavam nunca.

    Acho o mais legal de tudo isso é a pessoa que você é, normalmente é normal da sociedade esteriotipar um sujeito, estigmatizar pelo que é apresentado deixando de lado a história, sujeito, subjetividade daquele ser em sua existência, mas até isso você me mostra diferente, eu vejo você uma pessoa maravilhosa, seja com um texto ou um gesto me coloca pra pensar.

    Achei sensacional essa leitura pela manhã.

    obrigado tenha um ótimo dia!

    • Guilherme Bara disse:

      Ola Kenji, bom dia! QUe bom receber seu comentário aqui no blog. FIco feliz com suas palavras mas te digo que sou incapaz de um montào de coisas!! Espero que comente sempre pois tem um olhar embasado e analítico que agrega bastante. Abraço!

  • Lorena disse:

    Guilherme,

    Parabéns pelas postagens. Conhecer esta diferença é entender, como instituição, o seu papel.

    Quando empregamos um “deficiente” a grande virtude não é pagar um salário ou oferecer um benefício.

    A grande sacada é incluir o acesso ao trabalho: condições necessárias para o seu desenvolvimento e performance.

    Um abraço.

  • Olá, Guilherme! Muito bom seu texto. É simples, de fácil leitura e muito profundo e verdadeiro!
    Parabéns! Elaine.

  • marilene mendonça disse:

    sou deficiente

  • marilene mendonça disse:

    muitas portas se fecham pra gente

  • Ilnah disse:

    Olá Guilherme, encontrei seu blog por acaso, nesta manhã de sábado e estou super feliz com as suas contribuições. Sou professora e pesquisadora na área da educação especial e para ver é extraordinário observar atitudes como a sua. Gostei muito deste texto, você escreve de forma leve, descontraída e muito envolvente. Meus parabéns com votos de muita saúde e criatividade para os próximos escritos.

  • Raísa disse:

    Parabéns pelo texto! Incrível…
    Tenho uma pequena paralisia no lado esquerdo do corpo e infelizmente, muitas vezes questiono os motivos de ter nascido assim. Mas vindo aqui, renovo minhas forças e consigo ser mais leve… Até mais.

  • Helena disse:

    Parabéns pelo blog!! Entrei nele apenas com o intuito de encontrar ideias para terminar meu TCC, no qual o tema é sobre a inserção de pessoas com deficiências no mercado de trabalho, mas ao ler os comentários e saber que você é deficiente visual me fez ter a certeza de que escolhemos (meu grupo e eu) o tema certo!
    Mais uma vez, PARABÉNS e Obrigada!!!!

  • Kezoa disse:

    Por favor m ajude ,limitação física é mesmo que deficiências, entra em cota do sisu,tive sarcoma e minha perna nao tem musculo ,minha cnh somente carros automáticos .Por favor tire minha duvida

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *