Carnaval, eu também quero.

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Por Guilherme Bara

Apontado por muitos como um dos maiores espetáculos da Terra, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro encantou mais uma vez os milhões de telespectadores que puderam acompanhar em cada detalhe a passagem das 13 agremiações do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí.

Após o jantar, liguei a televisão a fim de curtir tudo que as escolas trariam para prender a atenção do público. O enredo, os carros alegóricos e as fantasias, as coreografias, os personagens e tudo mais.

Quando as escolas começaram a passar, percebi que minha expectativa seria frustrada. Não pela falta de talento, criatividade ou beleza por parte das concorrentes ao título do carnaval, e sim, porque as maravilhas apresentadas seriam privadas as pessoas que como eu são cegas ou tem dificuldade visual.

Os apresentadores falavam dos carros e das alegorias com um superficial toque de descrição, insuficiente para uma boa compreensão por parte das pessoas que não conseguiam ver as imagens. A descrição era complementar.

A partir da segunda escola, perdi a atenção no desfile e comecei a imaginar quais seriam os argumentos para convencer os apresentadores a detalhar a descrição das imagens. As pessoas cegas poderiam ter acesso e usufruir de uma maneira mais intensa do desfile. Pessoas idosas e com baixa visão, além de pessoas com dislexia também se beneficiariam.

E quanto às pessoas que não tem dificuldade alguma em enxergar? Fiz-me esta pergunta, porque, infelizmente apenas esta resposta poderia ser capaz de sensibilizar os responsáveis pela transmissão do carnaval.

Uma narração rica em detalhes faz com que o telespectador repare mais em cada momento, em cada situação mencionada. Quando citamos o detalhe prendemos a atenção da pessoa. Conquistamos seu olhar, aguçamos sua percepção o que traz uma espécie de energia e sentimento para o ato de olhar, de ver.

Uma simples orientação faria com que a transmissão naturalmente ficasse mais inclusiva e prazerosa para todos que a assistiam.

Igualmente em outros temas como as calçadas, quando você facilita o acesso para as pessoas com deficiência, beneficia a vida da população como um todo. Quem sabe no próximo carnaval…

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