Diversidade e ambiente inclusivo estimulam inovação

por Guilherme Bara

Vivemos em uma sociedade dinâmica, ávida por novidades e mudanças, com empresas cada vez mais especializadas e competitivas em busca constante por inovações que surpreendam o mercado e revolucionem os negócios. Para isso, aumentam-se os investimentos em pesquisas e novas tecnologias, a busca por profissionais mais qualificados e o trabalho de proteção da informação.

Algo que as companhias estão começando a perceber é que a inovação pode surgir a qualquer momento, em qualquer lugar, desde que haja um ambiente propício para a geração de novas ideias.

É neste momento que entra a diversidade e inclusão. Muito se fala sobre a diversidade como uma iniciativa de recursos humanos e de sustentabilidade, como uma ferramenta para proporcionar oportunidades de trabalho para todos. Mas o que pouco se percebe é que um ambiente de trabalho inclusivo contribui diretamente para fomentar a inovação.

Uma equipe homogênea, com perfil similiar, tende a oferecer sempre as mesmas soluções. Já um time formado por pessoas de origem, cultura, idade, formação, experiência e história de vida bem diferentes traz à área um guarda-chuva imenso de oportunidades para discussões produtivas, com pontos de vista e argumentos bastante diversos.

Mas é importante saber que a diversidade não se limita à contratação de profissionais diversificados. Construir um ambiente inclusivo é essencial para que todos se sintam de fato acolhidos e confortáveis em oferecer a melhor performance e participar ativamente de debates e decisões, além de ousar em trazer novas ideias, sem medo do erro ou da censura.

Colaboradores que se deparam com uma gestão pouco aberta, preconceituosa ou conservadora dificilmente se sentirão comprometidos, consequentemente estarão menos motivados e engajados na busca por soluções criativas. Para o desenvolvimento de um cenário favorável à inovação é necessário a construção de um ambiente onde os contrapontos sejam bem-vindos, tanto por parte da liderança como pelos demais membros da equipe. Uma boa prática inclusiva que contribui para inovação é convidar para reuniões de brainstorm colaboradores de áreas alheias ao tema em questão a fim de possibilitar soluções inéditas e “fora da caixa”.

Quando o grupo abre espaço para alguém de fora daquela atividade apresentar sugestões de melhoria, pode ser muito produtivo, pois aquele colaborador terá condições de avaliar o cenário por um ângulo diferente da equipe que já está habituada à rotina da área.

Inovar é sair do lugar comum e, para isso, precisamos ousar na maneira de fazer a gestão de equipes, buscando novos perfis, fugindo fugindo do padrão convencional.

* Guilherme Bara é gerente de Diversidade e Inclusão da Basf para a América do Sul.

Artigo publicado no jornal “Correio da Bahia” em 09 de setembro de 2015

http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/guilherme-bara-diversidade-e-ambiente-inclusivo-estimulam-inovacao/?cHash=dd702a22c1ff2ed3d0b9b2b4084247df

Milhões de “Felicianos”

Por Guilherme Bara

 

Depois que o Governo Dilma deu ao Deputado Pastor Marco Feliciano a possibilidade de presidir a Comissão de direitos humanos da Câmara dos deputados, temos assistido um enorme clamor de vários segmentos da sociedade, pedindo o afastamento do pastor.

Feliciano tem em seu currículo declarações onde relaciona as pessoas negras ao demônio e trata os homossexuais como doentes.

Defensores de Feliciano argumentam que o pastor tem legitimidade para o cargo, já que recebeu o voto de mais de 180.000 eleitores.

Poderíamos dizer assim que o pastor representa 180.000 cidadãos que pensam da mesma forma.

Desconfio, porém, que representa parcela muito maior da sociedade.

Apenas para abordar o que foi dito sobre os negros, nós que estamos postando centenas de milhares de mensagens nas redes sociais onde nos mostramos indignados pela postura do representante evangélico, se deixarmos um pouco de lado a retórica e prestarmos atenção em nosso comportamento e dos grupos sociais que pertencemos, poderemos nos surpreender em ver no Deputado “anticristo” um representante de nossas próprias atitudes.

Quantas vezes se comentou com certa perplexidade quando alguém branco surge com um namorado ou namorada negra?

Quantas vezes percebemos olhares surpresos quando uma pessoa negra está dirigindo um carro de luxo?

Quantas vezes um belo rapaz negro é contratado para dançar a valsa de 15 anos com a debutante branca?

Quantas pessoas negras você vê circulando no shopping que frequenta?

Para fechar, quantos são os negros que você tem como colegas em seu trabalho?

Ao  respondermos estas perguntas percebemos que excluir o negro não é privilégio, muito menos exclusividade do pastor Feliciano.

Percebemos que o pastor representa as práticas de uma enorme parcela de nossa população.

Quem sabe a presença de “Felicianos e Bolsonaros” sirva, pelo menos, para que estes temas saiam debaixo do tapete e consequentemente, faça que revisemos nossas crenças e sobre tudo nosso comportamento.

Assim, nas próximas eleições, poderemos eleger deputados que representem, quem sabe, um novo modelo de sociedade, de fato mais inclusiva.