Eu voto Distrital. E você?

Por Floriano Pesaro

A Reforma Política brasileira, há muito tempo esperada e ainda pouco discutida – ou seria evitada? – por todos nós, tem o desafio de construir consensos a respeito de pontos importantes para nossa nação. As discussões perpassam por diversos temas, tais como: os sistemas eleitorais (majoritário, proporcional ou misto); financiamento eleitoral e partidário; suplência de senador; filiação partidária; coligação na eleição proporcional; voto facultativo; data da posse dos chefes do Executivo; cláusula de desempenho; fidelidade partidária; reeleição e candidatura avulsa.

Enfim, a pauta é extensa e já há no Senado uma Comissão dedicada a debater o tema (Comissão de Reforma Política). Mas, no meu entender, tema nevrálgico nessa extensa pauta de discussões é a definição do modelo eleitoral para cargos proporcionais, como é o caso do Poder Legislativo.

Hoje, os representantes do povo no Legislativo (deputados federais, deputados estaduais e vereadores) são eleitos pelo voto proporcional, isto é, os partidos políticos ganham cadeiras em proporção ao número de votos que seus candidatos recebem em todo o Estado (ou cidade). Quanto mais candidatos, mais votos. No entanto, um mês após a eleição, 30% dos eleitores já não se lembra em quem votou, pois vota sem conhecer bem os candidatos. E a porcentagem cresce exponencialmente com o passar do tempo.

Apesar de o “esquecimento precoce” demonstrar a pouca relevância que damos ao nosso voto e seu impacto direto em nossas vidas, há mais por trás deste fenômeno.

O sistema vigente não consegue captar os anseios da população, que vive no território e tem suas demandas, necessidades e prioridades organizadas pela e na região em que residem.

Por este motivo, passei algum tempo lendo, estudando, tentando conhecer todas as saídas propostas. Sempre com duas palavras em mente: simplificar e aproximar.

E essas duas palavras dão conta de resumir e definir o modelo do voto distrital, que simplifica o sistema eleitoral do legislativo e por isso aproxima o cidadão da política. O modelo permite fiscalizar de perto o político eleito e, assim, podermos realizar as mudanças que tanto desejamos.

A ideia do modelo distrital é dividir cada região em distritos e fazer com que cada partido apresente apenas um candidato por região, simplificando o processo de escolha (cada cidadão poderá se aprofundar e conhecer bem a história de cada um dos candidatos de sua região antes de votar).

Além de votar naquele que, na sua opinião, mais conhece seu distrito, você não ficará sem representação caso seu candidato não seja eleito. O vereador ou deputado daquele distrito será conhecido por todos e atuará no legislativo representando toda a população daquela região; e não apenas daqueles que neles votaram.

Somente assim será possível dar mais poder de organização e mobilização aos cidadãos e suas lideranças comunitárias. Isso é ter “um parlamentar para chamar de seu”. Assim como temos um médico de confiança, devemos ter um político sobre o qual saibamos suas ideias e propostas e possamos, de fato, confiar e cobrar. Isso é simplificar, isso é aproximar.

Por isso, afirmo: Eu voto distrital. E você?

Floriano Pesaro, sociólogo, vereador e Líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo

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Comentários

  • Eduardo Bara Menezes disse:

    Inúmeras alterações devem ser implementadas em nosso sistema eleitoral que, diga-se, da forma em que está, pode ser chamado de eleitoreiro.
    Certamente, o voto distrital é um passo importante p/ isso mas, acredito que neste momento, o voto facultativo é imprescindível p/ que qualquer outra medida seja verdadeiramente eficaz.
    Votam apenas aqueles que realmente se interessam pelo assunto. Assim, distrital, ou não, em tese, os votos terão um grau maior de qualidade.
    Diante do brevemente colocado, imperativa a reforma eleitoral que, lamentavelmente, parece estar cada vez mais distante.

  • Gustavo disse:

    Tenho um grande desgosto em relação a política brasileira. Somos, de forma hábil, enganados a cada ciclo “eleitoreiro” com a sensação de que escolhemos nossos representantes. Votamos, mas nem sempre escolhemos, e numa dessas acabamos elegendo outros candidatos. Os eleitos ganham quatro anos de trabalho sem a devida fiscalização do povo, dando a oportunidade para pintarem e bordarem. Eu voto distrital. Quero ver a cara do deputado responsável pela minha região se (ou quando) ele pisar na bola e ter que prestar contas ao distrito.

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