Lula x Seu Excesso de Confiança

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Recentemente o ex-presidente Lula recebeu a feliz notícia que seu câncer de garganta tinha desaparecido.

Desta forma o líder petista estaria pronto para voltar ao comando das estratégias petistas para manter e ampliar seus domínios. Mas enquanto Lula passava pelo tratamento, uma de suas mais calculadas manobras estava em pleno curso.

 Os primeiros sinais desta manobra apareceram pouco antes de Lula sair do governo, quando afirmou que se dedicaria a mostrar que o “mensalão” foi uma farsa criada pela oposição e pela imprensa. Esta dedicação nem de perto se baseou em mostrar como seus companheiros teriam sido injustiçados por uma espécie de complô social.

O “mensalão”foi o maior caso de corrupção do país que envolvia enorme e bem estruturado esquema de compra de votos supostamente coordenado pelo então braço direito de Lula, o ministro da casa civil José Dirceu.

Na época o próprio Lula deu declarações que confirmavam a existência do esquema e procurava se isentar de responsabilidade com o argumento pouco crível que não sabia de nada.

 A estratégia atual de Lula, longe de trazer provas ou evidências que livrem seus comparsas, partiu para a tática já utilizada na campanha de Dilma quando do escândalo que ligava a atual presidente a um esquema para beneficiar empresas do filho de sua então assessora de confiança, Erenice Guerra. Em troca a empresa beneficiada pelo esquema teria colaborado com as campanhas petistas.

No caso Erenice a resposta petista foi criar um factóide com o inexpressivo Paulo Preto, que teria desviado recursos da campanha de Serra para seu benefício próprio. Desta forma passando a mensagem que se Dilma fazia coisas erradas, todos faziam e então a situação se neutralizaria.

A tática petista é fazer um enorme barulho em cima de um caso menor da oposição a fim de ofuscar um caso bem mais grave do próprio governo.

Com o caso mensalão possivelmente sendo julgado até julho deste ano, Lula teria tirado uma carta que há muito tinha na manga para desgastar a oposição.

Trazer a público uma operação que envolveria lideranças da oposição ao lobista e contraventor Carlinhos Cachoeira. Entre estas lideranças, inclui-se o ativo senador Demostenes Torres (DEM GO) e o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB).

Perillo causou bastante desconforto ao revelar que havia alertado o então presidente Lula da existência do “mensalão” antes do caso estourar. Lula sempre afirmou que nunca soube do caso e usava este argumento como auto absolvição.

O Caso “ Cachoeira” desencadeará uma CPI que está longe de ter objetivos republicanos, visa, de fato, ofuscar o julgamento dos envolvidos no maior esquema de corrupção conhecido no país ocorrido no governo petista.

Sendo o presidente mais popular da história, tendo elegido sua sucessora que mantem excelentes índices de aprovação pela população e com a aura quase de divindade após vencer a doença, Lula está mais confiante do que nunca que enterrará o caso de maior insulto ao povo brasileiro.

A esperança de quem quer que algo de justo aconteça neste processo é que parte da imprensa tem liberdade e capacidade analítica e um segmento silencioso da sociedade está bastante alerta e ansioso para o desfecho deste caso.

Outro fator que pode por água no chopp de Lula é que as ligações escusas de Cachoeira, pelo que tudo indica, vão além de beneficiar políticos da oposição. O governador do DF, Agnelo Queiroz, (PT) já aparece no caso e nada indica que o envolvimento de importantes quadros do governo pare por aí.

Resta-nos acompanhar e torcer para que desta vez o Brasil seja maior que o governo e dê uma esperança que podemos ser um país um pouco mais justo, onde quem se diverte à custa da população possa ser julgado e punido adequadamente.

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Comentários

  • Melissa K. Chen Ufer disse:

    Gui, como você sabe adoro seu Blog. Gosto mais da sessão de diversidade, que, ao contrário da sessão de política, me dá esperanças e sede por saber mais…

    • Guilherme Bara disse:

      Ola Melissa. Indignar-se é fundamental para que tenhamos esperança na mudança das coisas que não estamos de acordo. O texto que você gostou da Mara Gabrilli também é de política. Como foi dito há muita coisa ruim mas há coisas interessantes também na política, no governo e em todos os segmentos da sociedade. Isto acontece porque o governo assim como os demais segmentos são formados por pessoas. Pessoas que são, por essência, imperfeitas. Obrigado pelo comentário e continue sempre por aqui, parabenizando ou se indignando.

  • Aline O. Morais disse:

    Análise muito bacana Guilherme. Realmente esse é um país de cidadãos com memória curta, mas também de cidadãos com muita esperança em uma sociedade mais equilibrada e justa. Espero também que esse caso seja um marco da punição para os crimes de colarinho branco e não mais um caso relegado ao esquecimento coletivo, como foi o caso dos “Anões do Orçamento” (só para lembrar…)

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