Os 4 Desafios Para as Empresas Incluirem Colaboradores com Deficiência

Por: Guilherme Bara

100 mil vagas não preenchidas só no Estado de São Paulo

 A Lei de cotas, vigente desde 1991, vem contribuindo para a entrada de milhares de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, principalmente nos últimos anos, quando sua fiscalização foi intensificada.

Na última década o número de contratações nas empresas auditadas pelo Ministério do Trabalho passou de 601 para mais de 100.000 só no Estado de São Paulo.

Mesmo com este significativo avanço ainda outras 100.000 vagas devem ser preenchidas para que as empresas paulistas cumpram a totalidade de suas cotas.

Com esta lei, o Governo federal passou a responsabilidade da inclusão econômica para as empresas.

Se por um lado ainda encontramos empresas que se furtam do dever de cumprir as cotas por motivos baseados em argumentos sem fundamento, claramente feitos com a intenção de fugir de suas responsabilidades, por outro, uma parcela significativa do setor corporativo vem fazendo sua parte, seja na contratação, que é o mais importante, seja na capacitação.

Atualmente, a responsabilidade social posta como ação essencial para os negócios das grandes empresas e a legislação sobre as cotas formam um ambiente favorável, porém ainda não suficiente para chegarmos perto de preenchermos as vagas abertas pela legislação.

Quatro desafios precisam ser vencidos para acelerarmos de forma acentuada este processo:

 O primeiro é a eliminação das barreiras físicas. Tanto os espaços corporativos como os espaços de uso público oferecem barreiras arquitetônicas para boa parte das pessoas com deficiência. Precisamos eliminar escadas, sonorizar elevadores, além de termos um transporte adaptado e calçadas acessíveis para que este grupo possa exercer com dignidade seu direito de trabalhar.

 O segundo é a falta de informação por parte dos gestores das empresas. Ainda encontramos muitas empresas que não conhecem os recursos disponíveis para diminuir ou em alguns casos até eliminar a incapacidade de uma pessoa fazer uma tarefa por causa de sua deficiência. Programas de leitura de tela, mouses e teclados adaptados são exemplos de tecnologia já disponíveis.

 O terceiro desafio é eliminarmos as barreiras culturais. Muitas pessoas se sentem impotentes quando encontram uma pessoa cega ou mesmo em uma cadeira de rodas.

Por não saber como interagir, as pessoas, muitas vezes preferem evitar um contato direto, o que prejudica bastante o processo de inclusão, cerceando esta pessoa da natural interação, fundamental para otimizar seu desempenho no trabalho.

Esta é uma barreira invisível e cruel que pode ser vencida com sensibilizações adequadas em relação ao tema e principalmente com o convívio.

 A quarta barreira é considerada pelas empresas a mais difícil de ser transposta. É a baixa qualificação educacional e cultural da maioria das pessoas com deficiência.

Alguns números confirmam esta impressão das corporações. Enquanto a ONU aponta que 10% da população têm algum tipo de deficiência, apenas 1,77% das vagas do ensino fundamental são preenchidas por alunos com deficiência.

Já no ensino médio e superior a incidência cai para 0,14% e 0,12% respectivamente.

Embora empresas tentem identificar vagas compatíveis ao perfil de qualificação, a falta de postura corporativa por boa parte dos candidatos é apontada como uma barreira, muitas vezes, intransponível para o recrutamento.

Enormes investimentos em qualificação técnica se perdem devido a este abismo cultural que existe entre uma parcela das pessoas com deficiência e o ambiente corporativo.

Os dados educacionais que citei anteriormente justificam este quadro.

 Precisamos trabalhar para vencermos estes desafios, porém não podemos esperar um mundo ideal para intensificarmos a inclusão de colaboradores com deficiência nas empresas. Muitas vezes a presença deste funcionário no ambiente de trabalho age como o grande catalisador de todo este processo.

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Comentários

  • Regiane disse:

    Concordo Guilherme e reforço a idéia sobre a questão da barreira cultural e de incluir no seu comentário que essas questões também são vividas pelas pessoas com a deficiência intelectual!

    Um grande abraço,

    Regiane

    • Guilherme Bara disse:

      Ola Regiane, obrigado pelo seu comentário. SIm, as pessoas com deficiência intelectual também tem de enfrentar estes desafios e em algumas situações de maneira mais forte ainda. Abraço!

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