Para quem não gosta de política

Por Guilherme Bara

 “Política, não gosto. Aliás, detesto. Muito chato. A única coisa legal na política é aquele horário eleitoral que mais parece um programa de humor. Tem cada figura”.

Você se identificou com a afirmação acima?

Se sim, digo que este artigo foi escrito exatamente para você.

Antes, com tudo, pergunto: Você bebe na balada e depois pega seu carro, torcendo para que nenhum policial te pare e peça para fazer o teste do bafômetro? Alias, se isso acontecer você já tem a resposta na ponta da língua, não é? “Não posso produzir provas contra mim mesmo”. Pronto, resolvido.

Mais algumas perguntas:

Você pensa em ter filhos ou mais filhos?

Você ou seu filho pretende ingressar em uma faculdade?

Você é mulher ou tem filha mulher e se preocupa com a violência sexual contra as mulheres?

Você gostaria de ir ao trabalho de bicicleta?

Chega a te afetar a criação de um pedágio urbano com intuito de diminuir o trânsito e a poluição, além de financiar o transporte público?

Você usa sacolas plásticas para carregar as compras do supermercado?

 Bom, se você respondeu positivamente ao menos a uma das perguntas acima, te digo um negócio: é bom você começar a olhar a política com outros olhos, pois é a política e são os políticos que vão decidir sobre todos estes temas, alias, já estão decidindo!

Enquanto escrevo este texto o STF julga a validade de cotas para negros nas faculdades. Os candidatos negros e não negros, logicamente, são diretamente afetados com esta decisão.

Há alguns dias foi aprovado projeto que dá poder de prova à percepção do policial contra motoristas embriagados; foi julgada a questão dos fetos anencéfalos e dada a permissão para o aborto nestes casos; o prefeito Kassab anunciou a criação de novas ciclofaixas.

Como podemos ver, nossa vida é afetada a todo tempo por decisões políticas. Atualmente, com a facilidade de nos comunicarmos com o mundo por meio das redes sociais, temos a oportunidade de colocarmos nossa opinião para os homens públicos e pressioná-los na hora de votar um tema relevante para a sociedade.

As ferramentas estão aí e depende de um pouco mais de interesse nosso, não pelos políticos, mas por nós mesmos.

Este ano temos eleições e com isto uma nova oportunidade de fazermos escolhas certas.  O que seria uma escolha certa? Escolha certa é a escolha que é feita de forma consciente.

Mas só uma última pergunta. No que temos que votar este ano mesmo?

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Comentários

  • Lorena disse:

    Guilherme, posso replicar seu artigo na minha página do facebook?

  • Paula disse:

    Tão dificil gostar de politica mesmo sabendo que suas decisões interferem diretamente em nossa vida… Sei disso, mas acabo ficando numa zona de conforto (o que é muito feio) por conta de indicação de amigos, familia etc. Acaba sendo aquele negócio de desacreditar e jogar a toalha, não pode! Mas, sei que pouco a pouco vou mudando através de um ótimo texto como esse, através de pensamentos em planos futuros… A maturidade politica, em algum momento, acredito que chegue para todos. Texto que faz mais que refletir, indicarei a todos… através tudo começa de pequenas ações até virar uma grandiosa ação.

  • Reinaldo Bulgarelli disse:

    Temos uma sociedade de baixa participação. Por isso gosto muito do tema do voluntariado e é um dos trabalhos que realizo na Txai: apoiar empresas na constituição ou fortalecimento dos programas de voluntariado. Voluntariado é uma forma de contribuir para a formação política das pessoas porque entram em contato direto com temas, questões e normativas que regem nossa cidadania: Estatuto do Idoso, Estatudo da Criança e do Adolescente, Lei de Diretrizes e Bases, a própria lei do voluntariado etc. Por falar nisso, imperdível o livro de Mario Sergio Cortella: Política para não ser idiota. É dele e do Renato Janine Ribeiro, editora Papirus. Pena que não tem versão acessível.

  • Déborah Fischer disse:

    Parabéns Gui, adorei o artigo e concordo que precisamos deixar o comodismo de lado e fazermos o mínimo para nos informarmos dos assuntos que nos cercam. Afinal é muito fácil enxergarmos apenas as coisas ruins a nossa volta.

    Abraços.

  • diego flosino de castro disse:

    O problema em não gostar de politica, é deixar pra quem usa para o seu propio deleite.

    • Guilherme Bara disse:

      Ola Diego, quanto mais as pessoas não se importarem com política, mais fácil fica para os maus políticos fazerem o que querem. Além disto, deixamos de participar em decisões importantes para o nosso dia a dia. Obrigado pelo comentário.

  • Mauro Lopes Martins disse:

    Boa Guilherme!
    Meu amigo Diego e eu acabamos de decidir criar um blog e ao pesquisar modelos afetos à política e à vida das pessoas nos deparamos com este seu artigo e seu blog. Parabéns! E com a sua licença, iremos nos inspirar também em você!
    Abraços!

  • Sami disse:

    “Bom, se você respondeu positivamente ao menos a uma das perguntas acima, te digo um negócio: é bom você começar a olhar a política com outros olhos”

    Como eu respondi “não” a todas as perguntas, a politica não me interessa. Assim sendo, não me interessa ler o resto do texto.

    Foi um prazer conhecê-lo.

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