Sinal amarelo na economia

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Por Guilherme Bara

A Presidenta Dilma anunciou recentemente duas medidas que tem o objetivo de baixar os juros que financiam o investimento no Brasil.

O anúncio de reduzir as taxas do crédito pessoal e imobiliários dos bancos federais Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil foi feito com pompa e estardalhaço com direito a pronunciamento em rede nacional de rádio e TV.

Dias depois, sem o mínimo alarde, foi anunciada a impopular, mas necessária mudança de regras na fórmula de remuneração da poupança.

Deixamos a estratégia de comunicação do governo federal em segundo plano, e vamos analisar o significado real destas iniciativas, positivas, porém sintomáticas.

Estas ações, mais que uma medida desenvolvimentista, é um claro sintoma de que o governo percebeu o sinal amarelo na economia do país.

A indústria nacional, a despeito dos diversos incentivos fiscais concedidos, empacou.

O Brasil cresce às custas do setor de serviços, o que não é suficiente para pensarmos em um crescimento sustentado no médio prazo.

O câmbio há muito desvalorizado e a pobre infraestrutura logística do país, somada ao sistema tributário caótico, faz com que o Brasil sofra um processo silencioso, até então, de desindustrialização, mascarado pelo crescimento da economia que se baseia, fundamentalmente, no setor de serviços.

As medidas tomadas são positivas, mas se forem tidas pela presidenta como suficientes para frear a tendência de desaquecimento da economia vão ter impacto modesto e temporário.

O Brasil precisa encarar o desafio que tem para eliminar o gargalo de sua infraestrutura de transporte que agrega custo na cadeia de valor de seus produtos, além de ter de simplificar e dar segurança no ponto de vista tributário aos potenciais investidores.

As dezenas de tributos e as mudanças de regras e alíquotas de diversos impostos vão na contramão desta simplificação.

Outra medida que terá que ser tomada a fim de viabilizar a baixa da taxa de juros no longo prazo é a redução dos gastos públicos. Quanto maior forem os gastos públicos, mais empréstimos o governo terá que tomar no mercado para financiá-lo, assim criando uma pressão para o aumento da taxa de juros.

Em relação ao corte de custos, o governo não dá nenhum sinal que está disposto a enfrentar este problema. Enfrentar esta questão de frente significa, entre outras coisas, diminuir a quantidade de cargos públicos que servem para acomodar a “companheirada”, além de ser moeda de troca com os partidos da base governista.

Os cortes nos gastos públicos também implicam em diminuir as verbas para os deputados realizarem obras em suas regiões, obras estas que, muitas vezes, sofrem denúncias de superfaturamento a fim de fazer Caixa 2 para financiar campanhas eleitorais de grupos políticos.

Atualmente o crescimento da economia do Brasil é a menor entre os países do “BRICS” . Para quem prefere a comparação no nível regional, vale dizer que entre os países da América do Sul, também estamos na rabeira. É hora então da presidenta Dilma aproveitar sua imensa popularidade e a enorme base que tem no Congresso para fazer as medidas que todos, inclusive ela, sabe que são urgentes para que possamos ter um crescimento, de fato, sustentável.

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Comentários

  • Paula disse:

    Guilherme para mim todas essas ações são paliativas e não é de hoje que a economia anda no amarelo. Enquanto não diminuirmos os gastos públicos e não realizar a reforma tributária, o Brasil não cresce. Sempre seremos lanterninhas! Enfim, mas isso exige coragem e pulso muito forte, coisa que o PT não tem, eu acredito. Espero sinceramente que não voltemos a conviver com inflação, insegurança politica e outras coisas, que vivemos quando pequenos, na nossa faixa etária, mas que eu me recordo bem. Forte Abraço, Paulete

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