Antes de dirigir, verifique sua dosagem alcoólica.

Por Floriano Pesaro

A cada treze minutos, uma família brasileira chora a perda de um parente morto em um acidente nas ruas ou estradas do país.

O Brasil ostenta o triste título de detentor de um dos mais altos índices de mortes no trânsito por habitante.

Na última década, o número de mortes subiu mais de 30% – e não se pode atribuir essa escalada apenas ao aumento da frota nacional (mais do que duplicada no período) e às lamentáveis condições das vias.

            40% dos acidentes com mortos envolve consumo de álcool.

Estudos recentes feitosem São Pauloe no Distrito Federal mapearam os casos de acidentes de trânsito com vítimas fatais. Em 40% dos episódios, a pessoa que morreu – o motorista, o passageiro ou o pedestre – havia consumido uma dose elevada de álcool. E, quando se fala em “dose elevada”, quase sempre se está falando mesmo é de grossa bebedeira.

Poderia enumerar outras tristes estatísticas que apontam de forma incontestável o quão nocivo é o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e o quão letal é a associação de álcool e direção.

Apesar de estarmos avançando consideravelmente na implementação de políticas públicas que buscam conscientizar a população sobre os perigos da associação de álcool e direção, o número de mortes no trânsito ainda é alarmante: aqui morrem mais pessoas em decorrência de acidentes de transito do que por homicídio. São Paulo ostenta a vergonhosa média de 4,3 mortes diárias no trânsito – para efeitos de comparação, Nova Iorque registra 0,4 mortes/dia.

 Até quando continuaremos achando esta situação normal?

Nossos jovens, que se reúnem nos postos de gasolina para o já tradicional “esquenta” para a balada e colocam em risco suas vidas e a de todos que cruzam seus caminhos.

 Para somar forças às inúmeras iniciativas que devemos tomar para rever essa brutal realidade, é que apresentei nesta casa o Projeto de Lei (PL) nº371 de 2011, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em nas lojas de conveniência e lanchonetes dos postos de gasolina.

 Mas não são apenas os nossos jovens que associam álcool à direção. Os adultos também se colocam nesta situação de risco com uma frequência considerável.

 Por isso, também tramita na Câmara de São Paulo, um segundo Projeto de Lei de minha autoria nesse sentido. O PL 44/12 visa obrigar casas noturnas, casas de shows, buffets, bares, restaurantes e estabelecimentos similares  – que vendam bebida alcóolica para consumo imediato – a disponibilizar a seus clientes bafômetros para a utilização gratuita.

 Passará a ser um direito de todo cidadão mensurar sua alcoolemia antes de tomar a decisão de dirigir.

 Os estabelecimentos deverão ainda colocar em local visível a placa: Seja sensato. Antes de dirigir, verifique sua dosagem alcoólica.

 A multa para os que não cumprirem a lei variará de R$ 2 mil a R$ 10 mil – sendo graduada pelo órgão competente conforme faturamento do local. No caso de reincidência, o valor dobrará e o alvará de funcionamento do estabelecimento poderá ser cassado, após segunda reincidência.

 Esta medida promove de forma eficaz a conscientização do motorista no momento crucial para sua segurança: a volta para casa.

 Usar a tecnologia já disponível e acessível – como o bafômetro – para segurança no trânsito já é prática comum em outros países.

Japão e Estados Unidos, por exemplo, já disponibilizam dispositivos que imobilizam o veículo caso o motorista esteja embriagado.

Atualmente, 19 estados norte-americanos obrigam infratores reincidentes a dirigir veículos que tenham o aparelho – e a arcar com os custos da instalação.

Enfim, a realidade precisa mudar. Mais do que promover blitzes fiscalizadoras e punitivas, cabe ao poder público promover maneiras eficazes de prevenir os acidentes de trânsito e manter em segurança todos os seus cidadãos. Por isso este Projeto de Lei é tão importante.

 Lembro do que dizem os meninos do Movimento Viva Vitão, fundado a partir da perda irreparável do jovem Vitor Gurman em um acidente de trânsito causado por uma motorista embriagada:

 Não espere perder um amigo para mudar a sua atitude!

 E acrescento: Seja sensato. Antes de dirigir, verifique sua dosagem alcoólica.

 Floriano Pesaro, sociólogo, vereador e Líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo

 

Papo com Floriano Pesaro

Hoje é a estreia de um quadro novo do blog que se chama “Papo com o Gui”

Trata-se de um papo informal entre mim e um convidado especial.

O primeiro convidado será o líder do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Floriano Pesaro.

Ele fala de suas experiências no governo FHC, da sua passagem como secretário municipal de Desenvolvimento Social no governo Serra e de sua atuação como vereador.

Temas como sacolas plásticas e bafômetro foram abordados no papo.

Conheça esta jovem liderança do PSDB

Assista!

Parte 1

Parte 2