Atividades na natureza promovem autonomia e auto-confiança às pessoas com deficiência intelectual

Por Guilherme Bara

Uma parceria da ONG Outward Bound Brasil com a APAE de São Paulo  proporciona uma incrível experiência para jovens com deficiência intelectual.

A cada trimestre um novo grupo de alunos da APAE de São Paulo enfrenta o desafio de passar 4 dias em uma expedição na montanha.

Andar em trilhas, organizar suas mochilas, montar barracas, preparar suas refeições, tomar decisões e  realizar trabalhos em equipe são alguns dos desafios desta experiência.

A odisséia também inclui escalar árvores e atingir o cume de uma montanha.

Minha esposa, Isabela Abreu, participou do processo de criação do projeto Borboleta Azul que tornou possível a realização deste sonho.

Ela também liderou a primeira expedição, que foi tema de um documentário produzido por Tomas Cavalieri.

Assista o vídeo desta experiência única

http://www.youtube.com/watch?v=X51nMg3U2gg

 

Nem coitadinho nem super herói

Por Guilherme Bara

Quando conhecemos alguém com deficiência, normalmente, nossas primeiras impressões são canalizadas unicamente nas limitações e privações que imaginamos que o nosso novo conhecido deve ter.

É comum as pessoas pararem para pensar como deve ser o mundo sem poder ver as coisas: o jogo de futebol, as cores, o rapaz ou a menina bonita, o pôr-do-sol, o rosto dos amigos e familiares.

Como será passar a vida sem poder correr, sem poder jogar bola, sem poder em alguns casos pegar sozinho o filho no colo? Viver sem ouvir as músicas e os diversos sons das pessoas e do planeta?

Como deve ser uma vida com dificuldade de compreensão? Como deve ser difícil ser tão diferente?

Pensamos tudo isso enquanto o tempo passa. E o tempo passa e a gente descobre pouco a pouco algumas coisas que eram inimagináveis para nós.

Descobrimos que o rapaz cego costuma correr com os amigos, algumas vezes até compete, já fez rapel, nada, voa de paraglider. Descobrimos que o cadeirante trabalha, faz teatro, se apaixona, sorri; Descobrimos que o surdo dança, viaja, se diverte, se comunica; Descobrimos que as pessoas com deficiência intelectual passeiam, vão ao shopping, namoram.

E quase sem percebermos, aquelas pessoas que nos causavam embaraço até para pensarmos nelas, passamos a vê-las quase como super-heróis. Que apesar de tudo são o máximo.

Mas o tempo passa e o dia a dia te coloca em situações em que sentimentos como aborrecimento, incômodo, prazer, raiva, gratidão, alegria, amor, paixão, desejo passam a fazer parte da sua relação com o novo conhecido. Você percebe que ele não é um coitado, e começa a notar que também não é um ser super especial que supera tudo.

Começa a reparar em suas fraquezas e fortalezas. E, finalmente, o pêndulo se equilibra.

Você, a partir do convívio, percebe que a pessoa com deficiência não é coitadinha nem super-herói. É uma pessoa que pode ser muito bacana ou muito chata. Ter defeitos inaceitáveis ou virtudes raras. Tudo isto independente de sua deficiência.

Nós, pessoas com deficiência, somos pessoas, como cada outra pessoa deste mundo.

Só incluímos alguém de fato quando somos capazes de termos todo o tipo de sentimento por ela. Do mais nobre ao mais repudiável.