Pessoas LGBT, o que as empresas têm a ver com isto?

Publicado no site Época Negócios no dia 17/02/2018

 

Por Guilherme Bara

No dia 17 de maio é celebrado o Dia Internacional Contra a Homofobia. Cada vez mais empresas utilizam a data para se posicionar a favor de uma cultura inclusiva com base no respeito e na qualidade das relações.

 

Este tipo de iniciativa ajuda muito a avançarmos no tema na medida em que dá luz a um enorme desafio da sociedade, sobretudo do ambiente corporativo. Falar sobre orientação sexual ainda é um tabu em boa parte das organizações. Isto ocorre em parte pelo desconforto de muitos em considerar as diferentes possibilidades de afeto entre as pessoas. A justificativa dada por estes é que a empresa não deve entrar em assuntos que dizem respeito à intimidade do funcionário.

 

O argumento, inicialmente, parece convincente, mas quando olhamos com mais atenção a rotina e a dinâmica das relações dentro de uma organização verificamos, sem muita dificuldade, que a vida afetiva de cada colaborador está bastante presente e impacta diretamente seu dia a dia. Relatar o fim de semana com o namorado, atender o telefonema da esposa e até mesmo dividir com o colega as intenções em chamar alguém para jantar são situações comuns e que passam desapercebidas. Este cenário muda drasticamente quando o namorado ou a esposa em questão são do mesmo sexo do funcionário.

É comum pessoas homossexuais se afastarem para atender uma chamada do namorado ou mesmo omitirem ou inventarem fatos sobre o fim de semana com receio de serem prejudicados em função de sua orientação sexual. Uma outra situação corriqueira nos corredores das organizações são as piadas que expõe e ridicularizam pessoas, mesmo que fictícias, por serem homossexuais.

 

Um dos reflexos deste ambiente hostil é o baixíssimo número de solicitações de benefícios corporativos como o plano de saúde para cônjuges do mesmo sexo. Mesmo sendo lei no Brasil desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união homoafetiva, o ambiente pouco inclusivo faz com que pessoas LGBT+ abram mão deste direito com receio de serem prejudicadas ou expostas.

A atitude de “sair do armário” é única e exclusiva da própria pessoa, mas é inegável que a qualidade do ambiente que a cerca se torna um fator de grande influência no seu processo de tomada de decisão.

Para se avançar no tema, precisamos ir além dos aspectos legais. É necessário promover um ambiente respeitoso e inclusivo para que as pessoas não precisem deixar parte de si em casa quando forem trabalhar.

 

Além disto, um ambiente amigável impacta diretamente no sentimento de pertencimento, no engajamento e, consequentemente, na produtividade das pessoas. Ações de comunicação e a promoção de diálogos que explicitam o posicionamento da empresa a favor da diversidade contribuem muito para a construção deste ambiente.

 

A empresa deve garantir que dentro ou em nome dela o respeito e a inclusão sejam valores inegociáveis.

 

Link da matéria: https://epocanegocios.globo.com/colunas/noticia/2018/05/pessoas-lgbt-o-que-empresas-tem-ver-com-isto.html

 

Diversidade e ambiente inclusivo estimulam inovação

por Guilherme Bara

Vivemos em uma sociedade dinâmica, ávida por novidades e mudanças, com empresas cada vez mais especializadas e competitivas em busca constante por inovações que surpreendam o mercado e revolucionem os negócios. Para isso, aumentam-se os investimentos em pesquisas e novas tecnologias, a busca por profissionais mais qualificados e o trabalho de proteção da informação.

Algo que as companhias estão começando a perceber é que a inovação pode surgir a qualquer momento, em qualquer lugar, desde que haja um ambiente propício para a geração de novas ideias.

É neste momento que entra a diversidade e inclusão. Muito se fala sobre a diversidade como uma iniciativa de recursos humanos e de sustentabilidade, como uma ferramenta para proporcionar oportunidades de trabalho para todos. Mas o que pouco se percebe é que um ambiente de trabalho inclusivo contribui diretamente para fomentar a inovação.

Uma equipe homogênea, com perfil similiar, tende a oferecer sempre as mesmas soluções. Já um time formado por pessoas de origem, cultura, idade, formação, experiência e história de vida bem diferentes traz à área um guarda-chuva imenso de oportunidades para discussões produtivas, com pontos de vista e argumentos bastante diversos.

Mas é importante saber que a diversidade não se limita à contratação de profissionais diversificados. Construir um ambiente inclusivo é essencial para que todos se sintam de fato acolhidos e confortáveis em oferecer a melhor performance e participar ativamente de debates e decisões, além de ousar em trazer novas ideias, sem medo do erro ou da censura.

Colaboradores que se deparam com uma gestão pouco aberta, preconceituosa ou conservadora dificilmente se sentirão comprometidos, consequentemente estarão menos motivados e engajados na busca por soluções criativas. Para o desenvolvimento de um cenário favorável à inovação é necessário a construção de um ambiente onde os contrapontos sejam bem-vindos, tanto por parte da liderança como pelos demais membros da equipe. Uma boa prática inclusiva que contribui para inovação é convidar para reuniões de brainstorm colaboradores de áreas alheias ao tema em questão a fim de possibilitar soluções inéditas e “fora da caixa”.

Quando o grupo abre espaço para alguém de fora daquela atividade apresentar sugestões de melhoria, pode ser muito produtivo, pois aquele colaborador terá condições de avaliar o cenário por um ângulo diferente da equipe que já está habituada à rotina da área.

Inovar é sair do lugar comum e, para isso, precisamos ousar na maneira de fazer a gestão de equipes, buscando novos perfis, fugindo fugindo do padrão convencional.

* Guilherme Bara é gerente de Diversidade e Inclusão da Basf para a América do Sul.

Artigo publicado no jornal “Correio da Bahia” em 09 de setembro de 2015

http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/guilherme-bara-diversidade-e-ambiente-inclusivo-estimulam-inovacao/?cHash=dd702a22c1ff2ed3d0b9b2b4084247df