Andrea Matarazzo estará na urna eletrônica nas próximas eleições

Por Guilherme Bara

Seja como vice-prefeito ou vereador, Matarazzo não abandona pretensões eleitorais ao abrir mão de disputar prévias.

O Secretário da Cultura, Andrea Matarazzo, foi o primeiro pré-candidato a abrir mão da disputa, mesmo antes do anúncio que oficializou a entrada de José Serra na briga pela prefeitura.

Apontado por diversas lideranças tucanas como o provável vencedor das prévias, o ato de lealdade reforçou ainda mais sua liderança que se evidenciou nos últimos sete meses.

Bastante próximo a Serra, Matarazzo preparou-se para vencer as prévias, e caso o amigo pessoal, de fato, tivesse mantido seu foco no plano nacional, certamente seria um candidato competitivo e pronto para governar a maior cidade da América Latina.

Veio a candidatura de Serra e com ela o gesto de lealdade.

Mas importantes formadores de opinião do PSDB perceberam em Matarazzo um potencial novo líder para um partido que se sustenta em apenas em dois nomes no
Estado de São Paulo: José Serra e Geraldo Alckmin.

Caso o PSD não consiga na justiça o tempo eleitoral correspondente ao seu número de deputados eleitorais, não deve indicar o candidato à vice. Neste caso, o PV, o DEM e eventualmente o PSB poderiam indicar o nome do vice de Serra.

A outra possibilidade que ganha força é de Andrea Matarazzo compor uma chapa “puro sangue”, o que deixaria os partidos aliados equidistantes, além de dar a Serra um parceiro bastante alinhado no comando da prefeitura.

Até aí nada é exatamente uma novidade para quem acompanha o noticiário político.

O fato novo é que surgiu a real possibilidade, antes evitada por Matarazzo, do secretário da Cultura paulista disputar uma cadeira na Câmara de vereadores. Um dos entusiastas da ideia é o ex Deputado Arnaldo Madeira.

Pronto para ser o vice dos sonhos de muitos, Matarazzo, prepara o plano B, já realizando algumas consultas internas no PSDB para sentir a repercussão de uma eventual candidatura a vereador.

Espero que Andrea Matarazzo venha a ser o vice de Serra, já que tem uma rara sensibilidade para a coisa pública, além de ser um dos mais influentes quadros do PSDB.

Filiação partidária voluntária: o mínimo para a democracia

Por Humberto Dantas

Entre os dados do site do Tribunal Superior Eleitoral e as pesquisas de opinião pública existe uma grande distância quando o assunto é filiação partidária. As informações oficiais, mantidas em termos percentuais sem grandes oscilações há anos, mostram que cerca de 10% dos eleitores brasileiros estão formalmente inscritos em alguma legenda. Por sua vez, pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizada pelo Instituto Vox Populi registrava 5% de filiação declarada em 2008. Como compreender tamanha inconsistência?

Em 2007, durante ciclo de debates sobre reforma política que participei como comentarista na Federação do Comércio de São Paulo utilizei o dado oficial para construir um argumento e arranquei risos de um influente deputado federal do Partido dos Trabalhadores. Em particular, ao término do evento, ele me confidenciou: “não queira saber como muitos desses cidadãos são filiados”. O assunto me incomodou.

Meses mais tarde, em conversa com um empresário amigo, compreendi melhor a realidade: “foi assim que eu comecei a enriquecer. Um velho político de São Paulo me pagava para eu filiar moradores de um condomínio de classe média na zona norte. Levei tanta gente pro PMDB que ele me deu um apartamento. Na data da convenção interna o combinado era levar esse povo para votar. Nele, é claro, que conquistou o partido”, confidenciou-me. Assim, em grande parte das vezes a corrida pela filiação não tem como tiro de partida o interesse espontâneo de um cidadão, mas sim aspectos clientelistas e capazes de gerar poder para quem detém, sob seus domínios, quantidade expressiva de votos capazes de alterar a lógica interna das legendas. Nesse universo, o que não faltam são os tradicionais laranjas.

Tal questão enfraquece o valor, por exemplo, da adoção de um sistema de lista fechada em eleições proporcionais em que a ordem dos candidatos fique a critério dos filiados. Isso sem falar nas listas de meros simpatizantes, que não são filiados, e legalmente devem concordar em abaixo-assinados com o surgimento de uma nova legenda. No documento do recém-criado PSD até mortos apareceram segundo a imprensa.

Outro gesto que perde sua legitimidade são as prévias partidárias para a escolha de candidatos. O PSDB, concentrado nesse movimento na cidade de São Paulo, sentiu na pele o fato de ter entre seus membros pessoas que sequer sabem da existência do partido ou do gesto de filiação. Reportagens veiculadas há algumas semanas atestam que diversos “associados” entrevistados não sabiam que faziam parte dos quadros da organização. Diante dos exemplos apresentados, é absolutamente possível compreender que a prática, disseminada nacionalmente entre os mais diferentes partidos, é um atestado do quanto estamos distantes da democracia como um valor cultural e cotidiano. Para vivê-lo precisamos destronar os reizinhos locais, que exploram a falta de conhecimento alheio, adicionando a seus pretensos capitais políticos a ignorância como sustentáculo de uma moeda danosa à vida das legendas.

Serra entra. Chalita sai?

Por Guilherme Bara

Mais uma vez, depois de negar incisivamente, José Serra confirma que será candidato à prefeitura de São Paulo.

Além de fortalecer o PSDB na corrida municipal, a entrada de Serra na disputa pode mexer em situações que eram dadas como definitivas na composição partidária para as eleições.

Com a sinalização de diversos partidos no sentido de fazer parte da coligação que dará sustentação à campanha do nosso recém-candidato, o PT vê o sinal vermelho acender e deve retomar a carga em cima do PMDB a fim de demover Gabriel Chalita de disputar as eleições. O objetivo é aumentar a aliança em torno do ex Ministro da Educação Fernando Haddad.

O momento é favorável para a carga petista, já que Chalita passa por momento turbulento com parte de sua equipe.

Quem esfrega as mãos é o presidente do PMDB, Michel Temer, que vê situação favorável para dar mais uma barganhada e abocanhar novos espaços no governo federal.

Outro partido que também deve ser colocado contra a parede é o PC do B, que tem Netinho de Paula como seu pré-candidato.

A idéia petista seria evitar uma desvantagem de Haddad no tempo de TV em relação ao tucano. Desta forma a eleição estaria, mais do que nunca, polarizada entre os dois partidos que vem rivalizando as principais disputas eleitorais.