Sobre mandatos interrompidos, outras rejeições e inconsistências…

Por Humberto Dantas, doutor em ciências políticas

 Serra deixou a cidade de São Paulo nas mãos de Kassab em 2006. Foi eleito governador no primeiro turno, algo que nunca havia ocorrido no estado. Dois anos depois, viu seu pupilo ser reeleito prefeito em 2008 e se a cidade estivesse tão razoável quanto estava naquela ocasião, Serra poderia ser oferecido como algo do tipo: “ele está de volta para continuar aquilo que está dando certo”. O problema é que pouca coisa parece estar dando certo, porque aos olhos da sociedade Kassab se preocupou mais em fundar um partido (o “não-ideológico” PSD) que organizar o caos paulistano, e Serra parece mais concentrado em ter as chaves do Palácio do Planalto que voltar a ocupar o endereço do Viaduto do Chá.

 Entre os principais adversários do tucano, um belo exemplo dessa cobrada infidelidade municipal, que faz Serra sorrir diante das câmeras e jurar amor pela cidade e desejo pelo mandato que almeja hoje. Quem mais insiste na tese de abandono é quem cumpriu rota quase idêntica. Chalita foi eleito vereador em 2008 com grande votação pelo PSDB. Em 2010, já pelo PSB, “abandonou a cidade” e se apresentou ao eleitorado como candidato eleito a deputado federal. Hoje sonha em largar Brasília e é novamente candidato, dessa vez a prefeito pelo PMDB. Como aos olhos de Gabriel o eleitor parece se incomodar pouco com o parlamento, ele se sente à vontade para criticar a “infidelidade de Serra”, esquecendo que além de deixar a vereança em meio ao mandato e pensar na despedida da Câmara Federal, abandonou o PSDB e o PSB em menos de três anos.

 De vítima a algoz, a campanha de Serra acusa o PT de criar taxas ao longo do governo Marta. O apelido de Martaxa pegou, mas quem carrega o PSD na chapa e defende de forma fiel o criticado governo Kassab, não parece preocupado com o apelido de Taxab que o atual alcaide recebeu após a criação da inspeção veicular, que começou reembolsável e hoje abocanha o contribuinte. Por falar em apelidos, quando o PT critica Russomanno, não consegue esconder Maluf, que emprestaria ao líder nas pesquisas o apelido de Menino Malufinho, conquistado após os anos de Celsinho na legenda dirigida pelo Dr. Paulo.

Diante de tantas inconsistências, o que esperar do atual estado das pesquisas? Inconsistências. Quem imaginava Russomanno indo ao segundo turno como favorito? Ninguém. Nenhum analista político falava nisso em 2011. Fosse assim, talvez Chalita e Netinho de Paula tivessem embarcado nas tentativas de acordo ocorridas ao longo do semestre, que visavam à criação de uma chapa forte na terceira via. Forte? Põe forte nisso. Mesmo sem as desejadas companhias, e sob a batuta do PTB de Campos Machado, Russomanno mostra força de quem defende o consumidor, que nesse país parece sentir-se mais valorizado que o próprio cidadão. Vamos adiante…

Gilberto Kassab, o dono da bola.

 Por Guilherme Bara

 Mesmo com um dos mais baixos índices de aprovação entre os últimos prefeitos, mal falado tanto, nas fileiras petistas como tucanas, Gilberto Kassab aparece como o grande direcionador das eleições deste anoem São Paulo.

Vencendo uma queda de braço do próprio Serra em 2004, Kassab conseguiu a indicação para vice na chapa que viria a ser vitoriosa nas eleições municipais daquele ano.

Isto permitiu que pouco mais de um ano depois se tornasse prefeito da principal capital do país.

Conhecido como importante homem de bastidores, Kassab assumiu a prefeitura depois de selar um acordo polêmico com seu exdesafeto, agora leal aliado, José Serra. Na saída do tucano para disputar o governo do estado em 2006, Kassab assumiu o compromisso de manter a equipe de Serra em troca do apoio do tucano em sua tentativa de reeleição. Este acordo fez que o PSDB rachasse, pois o acordo feito por Serra não havia sido validado pelo PSDB. Desta forma os tucanos lançaram Geraldo Alckmin para prefeitura enquanto o então Governador José Serra usou toda a sua influência a favor de Kassab, que estava no DEM.

Kassab venceu as eleições e foi ao longo de 2011 que iniciou sua maior cartada política. A criação de um novo partido (PSD) que segundo o próprio “não seria de esquerda nem de direita nem de centro. Ali o prefeito paulistano já deixava claro para quem pudesse interessar que ele criava uma máquina partidária para um projeto de poder, sem qualquer amarra ideológica que inviabilizasse alianças convenientes a este projeto.

O desprendimento ideológico ficou evidente quando Kassab procurou o expresidente Lula para propor uma aliança nas eleições municipais. O gesto do exsecretário de planejamento da gestão Pita fez com que aumentasse a pressão para que José Serra aceitasse participar da disputa municipal paulistana.

Com o aceite de Serra, Gilberto Kassab guinou 180º e, mostrando lealdade ao padrinho  político, deu o apoio de seu partido. Em clara demonstração de proximidade com Serra, foi ele mesmo o porta-voz da decisão do tucano em disputar as eleições.

Diferente de seu discurso público que o apoio seria incondicional, pressionou e conseguiu uma, não desejada pelo PSDB, aliança nas eleições proporcionais o que traz melhores possiblidades de vitória para os candidatos a vereador de seu partido. Nas últimas horas, com a decisão da justiça em dar ao PSD o valoroso tempo de TV no horário eleitoral, emplacou seu correligionário Alexandre Schneider no posto de vice na chapa de Serra, desagradando o principal articulador da campanha tucana, o Governador Geraldo Alckmin.

Desta forma, Gilberto Kassab crava um pé no universo tucano ao mesmo tempo que fecha alianças com o PT em outras diversas cidades do país.

Com a 4ª maior bancada no congresso e com alianças em todos os terrenos políticos Kassab, Mais que influenciar as eleições deste ano, já surge como um nome de muita importância para as sucessões estaduais e federal em 2014.

Como em nossa infância, o menino dono da bola era quem ditava as regras da “pelada”, Gilberto Kassab pode não ter o apoio das torcidas, mas é quem detém a bola do jogo.