O que está por traz da escolha do nome de José Serra pelo PSDB?

Por: Guilherme Bara

 No decorrer de2011, aausência de um “cacique” como candidato natural pelo PSDB à prefeitura de São Paulo forçou os tucanos a acreditarem que o eleitor queria uma “cara nova” e que esta seria uma das premissas para identificar o nome ideal para a disputa municipal. 

Uma pesquisa do Datafolha que apontava Serra com apenas 21% das intenções de voto e com 35% de rejeição ecoava no ninho tucano a fim de sustentar a teoria da necessidade da “cara nova”.

Os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), José ANÍBAL (Energia), Bruno Covas (Meio Ambiente) e o Dep. Federal Ricardo Trípoli, entraram em uma disputa interna para ver quem seria o indicado do partido. 

As prévias foram agendadas enquanto o principal líder tucano no Estado, o Governador Geraldo Alckmin costurava uma aliança ampla para dar melhores condições para o candidato debutante de seu partido. 

Enquanto o PSDB se movimentava em torno dos quatro nomes, em paralelo, Lula mexia as peças no tabuleiro petista a fim de garantir a candidatura de seu candidato, o Ex Ministro da Educação Fernando Haddad. As lideranças do PT que se opunham ao nome do gestor do Enem sucumbiam uma a uma e até Marta Suplicy, com um considerável apoio da militância petista, foi atropelada pelo trator de Lula.

 O mandatário petista mostrava que não economizaria esforços para eleger seu candidato e, desta forma, tirar a maior cidade do pais das mãos da oposição e, com isto, armar o bote para em 2014 minar o grande foco de resistência tucana, o governo do Estado de São Paulo.

 O cheque que Lula armava dar no PSDB ficou claro quando, abrindo mão de qualquer ideologia que alguém pode achar que o PT ainda tenha, se aproximou de Gilberto Kassab e ensaiou uma, para lá de polêmica, aliança.

Os nada sutis movimentos de Lula fizeram um barulho que ultrapassou os muros petistas e chegou na base tucana como um alerta assustador capaz de fazer com que o partido abrisse mão de seu, então, discurso e fosse buscar o “cacique” para a batalha na capital.

 Agora a responsabilidade de lançar um novo nome mesmo como tantas teorias sugeriam, começou a ser pesada demais para ser bancada pelos líderes tucanos.

 A leitura foi que uma eventual derrota de Serra traria uma sensação de que foi feito o que poderia ser feito, ao que uma derrota de um principiante na corrida municipal poderia deixar uma impressão que o PSDB quis brincar de eleição na hora errada.

 Os modestos 21% de intenção de voto e a considerável rejeição de Serra foram esquecidas como em um passo de mágica e quase a totalidade das lideranças tucanas, de Alckmin a FHC, de Aécio, este por motivos diversos, a Aloísio Nunes, começaram a pressionar o ex governador para, em nome de um projeto anti dominação petista, colocar seu nome e todo o seu peso político para a disputa de outubro próximo.

 Serra disse não, disse não e finalmente disse sim.

Um sim tardio suficiente para não conseguir evitar as prévias que se realizaram ontem e confirmaram como esperado, seu nome como o candidato tucano.

 Com a militância animada e com a subida de Serra na última pesquisa do Datafolha, muita gente, inclusive do PT, acredita que o PSDB acertou ao adotar uma estratégia mais conservadora lançando um nome já testado e conhecido dos paulistanos.

Torço para que a estratégia dê certa, mas ainda é bastante cedo para qualquer conclusão.

Andrea Matarazzo estará na urna eletrônica nas próximas eleições

Por Guilherme Bara

Seja como vice-prefeito ou vereador, Matarazzo não abandona pretensões eleitorais ao abrir mão de disputar prévias.

O Secretário da Cultura, Andrea Matarazzo, foi o primeiro pré-candidato a abrir mão da disputa, mesmo antes do anúncio que oficializou a entrada de José Serra na briga pela prefeitura.

Apontado por diversas lideranças tucanas como o provável vencedor das prévias, o ato de lealdade reforçou ainda mais sua liderança que se evidenciou nos últimos sete meses.

Bastante próximo a Serra, Matarazzo preparou-se para vencer as prévias, e caso o amigo pessoal, de fato, tivesse mantido seu foco no plano nacional, certamente seria um candidato competitivo e pronto para governar a maior cidade da América Latina.

Veio a candidatura de Serra e com ela o gesto de lealdade.

Mas importantes formadores de opinião do PSDB perceberam em Matarazzo um potencial novo líder para um partido que se sustenta em apenas em dois nomes no
Estado de São Paulo: José Serra e Geraldo Alckmin.

Caso o PSD não consiga na justiça o tempo eleitoral correspondente ao seu número de deputados eleitorais, não deve indicar o candidato à vice. Neste caso, o PV, o DEM e eventualmente o PSB poderiam indicar o nome do vice de Serra.

A outra possibilidade que ganha força é de Andrea Matarazzo compor uma chapa “puro sangue”, o que deixaria os partidos aliados equidistantes, além de dar a Serra um parceiro bastante alinhado no comando da prefeitura.

Até aí nada é exatamente uma novidade para quem acompanha o noticiário político.

O fato novo é que surgiu a real possibilidade, antes evitada por Matarazzo, do secretário da Cultura paulista disputar uma cadeira na Câmara de vereadores. Um dos entusiastas da ideia é o ex Deputado Arnaldo Madeira.

Pronto para ser o vice dos sonhos de muitos, Matarazzo, prepara o plano B, já realizando algumas consultas internas no PSDB para sentir a repercussão de uma eventual candidatura a vereador.

Espero que Andrea Matarazzo venha a ser o vice de Serra, já que tem uma rara sensibilidade para a coisa pública, além de ser um dos mais influentes quadros do PSDB.

Prévias

Por Ricardo Montoro

O que o PSDB ganha com a realização de prévias internas para a escolha de seu candidato a Prefeito de São Paulo?

Inicialmente gostaria de reafirmar minha convicção da necessidade da participação da militancia do partido na escolha de um candidato. O fortalecimento do processo democrático e participativo é premissa para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e solidária.

As prévias representam este espírito e sua realização significa um avanço no sentido verdadeiramente democrático.

Alguns críticos à realização de prévias justificam que isto pode ser o pretexto para uma divisão e racha partidária. Que visão mesquinha!

A pluralidade de opiniões divergentes acontecem em todos os níveis da política como na família, nas empresas e em geral em toda a sociedade. Isso enriquece e justifica as decisões tomadas e, com certeza, permitem mais acertos do que erros. A participação e a consulta com certeza nos distância de equivocos e aproxima de acertos.

Assim sendo, o PSDB dá sinais de maturidade política ao realizar as prévias com todos os seus militantes.

Na cidade de São Paulo estamos num momento muito especial. Quatro postulantes estavam em uma disputa interna há mais de 5 meses. Todos realizaram dezenas de reuniões com os militantes, vários debates foram realizados, visitas aos diretórios zonais e, tudo indicava que em 4 de março teríamos a realização das prévias para a escolha do nosso candidato à Prefeitura.

Entretanto, novos fatos aconteceram. Em política aprendemos que devemos sempre nos pautarmos pela ética e moralidade, e sem abrir mão destes princípios devemos analisar o novo momento em que se encontra o PSDB.

Após consultar lideranças políticas, bases partidárias, o ex-governador José Serra aceitou disputar as prévias e nova data foi marcada para o evento: 25 de março.

A quase totalidade do partido se viu diante de uma situação com reais possibilidades de vitória sobre o nosso adversário.

Serra significa a unidade partidária, o apoio das mais diversas tendências da política municipal e, com certeza, nos levará a uma retumbante vitória nas próximas eleições.

As prévias até podem ser realizadas (eis que perderam sua motivação) mas o nome de Serra deverá ser amplamente majoritário e o PSDB será sem dúvida o grande vencedor deste processo de amadurecimento democrático pelo qual passamos.

O futuro irá comprovar que o PSDB será outro partido (para melhor) após este rico e proveitoso momento.

Continuemos juntos

Por Andrea Matarazzo

Nos últimos meses conheci um novo PSDB. Um partido cheio de energia e com um grande número de filiados e militantes que pensam como nós. Um partido com ideais e com vontade de lutar por novas ideias, por uma nova forma de fazer política. Foi esta pré-campanha, a qual me possibilitou a oportunidade de ouvir e conversar com tanta gente de bem, que me fez sentir assim. Foi uma das coisas mais gratificantes de minha vida.

Durante sete meses visitei todos os diretórios do PSDB, alguns mais de uma vez. Fizemos mais de 160 encontros. Recebi o apoio de 6 dos 8 vereadores do partido, deputados estaduais e federais. Participei de todos os debates promovidos ou apoiados pelo diretório municipal do PSDB. Nesse período, poucas foram as noites ou fins de semana que deixei de partilhar, com entusiasmo e admiração, da companhia dos meus amigos de partido.

Apresentei minha trajetória, experiência, minhas idéias e soluções para São Paulo. Investi na unidade partidária e nas prévias como o melhor caminho para a escolha do nosso candidato. Fiz o que meu coração e minha cabeça mandaram: apostei na militância e na sua valorização como o único meio de fortalecimento do nosso partido. E foi a decisão acertada. A cada reunião, a cada encontro, a cada manifestação, mesmo de apoiadores dos outros pré-candidatos, crescia a convicção de que estávamos no caminho certo. Conseguimos demonstrar que o PSDB é o espelho de uma São Paulo que quer progredir, uma cidade que quer ser mais acolhedora e se preparar para o futuro; conseguimos energizar a militância, com chances reais de vitória nas prévias. O PSDB e sua militância estão hoje, certamente, maiores e mais fortes.

Neste final de semana, após consultar militantes, líderes partidários, vereadores e deputados que apoiavam essa jornada, retirei minha pré-candidatura em favor de José Serra. Uma decisão difícil, mas tomada com muita convicção. Para mim, candidatura não é e não pode ser um projeto pessoal. Não teria chegado onde cheguei sem o apoio de muitos. E a eles, a vocês, devo satisfações. A disputa pela prefeitura de São Paulo tornou-se uma questão política fundamental. A sobrevivência das oposições depende em grande parte do resultado das eleições na nossa cidade. O PT trabalha para ser um partido hegemônico, para acabar com qualquer oposiçao no país, e o PSDB é o único capaz de fazer frente a esse nefasto objetivo.

Hoje, José Serra é o nosso melhor nome para enfrentar a máquina lulopetista que tenta se instalar em São Paulo. Com a entrada de Serra nas prévias, precisamos unir esforços. Nenhum desejo pessoal, nenhuma rixa partidária, pode ser maior que a vontade de derrotar aqueles que atacam a democracia, que querem implantar um partido único em nosso país, que perdem ministros um atrás do outro a luz de todo tipo de denúncias. Além disso, lembro-me bem da São Paulo arrasada por uma gestão desastrosa no período que nos antecedeu na prefeitura.

Tenho com José Serra e, com o PSDB, firmes e antigos laços políticos. Reconheço sua experiência e sua capacidade como político e gestor. Como militante que sou, trabalharei incansavelmente por sua escolha nas prévias e depois na eleição.

Sou profundamente grato a todos vocês. E que fique claro: esta não é uma carta de despedida. Aqui, damos a largada a uma nova fase da disputa. Juntos, com Serra, nosso candidato nas prévias, e com Geraldo Alckmin vamos liderar a união das melhores forças da cidade de São Paulo contra o atraso.

Na política moderna, temos de ter posições claras, transparentes e permitir que as pessoas nos conheçam como realmente somos. Aos que chegaram comigo até este ponto da trajetória, um pedido: “continuemos juntos!”. São Paulo precisa dos nossos valores, do nosso entusiasmo, do nosso trabalho.

Muito obrigado.

Andrea Matarazzo