Prévias

Por Ricardo Montoro

O que o PSDB ganha com a realização de prévias internas para a escolha de seu candidato a Prefeito de São Paulo?

Inicialmente gostaria de reafirmar minha convicção da necessidade da participação da militancia do partido na escolha de um candidato. O fortalecimento do processo democrático e participativo é premissa para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e solidária.

As prévias representam este espírito e sua realização significa um avanço no sentido verdadeiramente democrático.

Alguns críticos à realização de prévias justificam que isto pode ser o pretexto para uma divisão e racha partidária. Que visão mesquinha!

A pluralidade de opiniões divergentes acontecem em todos os níveis da política como na família, nas empresas e em geral em toda a sociedade. Isso enriquece e justifica as decisões tomadas e, com certeza, permitem mais acertos do que erros. A participação e a consulta com certeza nos distância de equivocos e aproxima de acertos.

Assim sendo, o PSDB dá sinais de maturidade política ao realizar as prévias com todos os seus militantes.

Na cidade de São Paulo estamos num momento muito especial. Quatro postulantes estavam em uma disputa interna há mais de 5 meses. Todos realizaram dezenas de reuniões com os militantes, vários debates foram realizados, visitas aos diretórios zonais e, tudo indicava que em 4 de março teríamos a realização das prévias para a escolha do nosso candidato à Prefeitura.

Entretanto, novos fatos aconteceram. Em política aprendemos que devemos sempre nos pautarmos pela ética e moralidade, e sem abrir mão destes princípios devemos analisar o novo momento em que se encontra o PSDB.

Após consultar lideranças políticas, bases partidárias, o ex-governador José Serra aceitou disputar as prévias e nova data foi marcada para o evento: 25 de março.

A quase totalidade do partido se viu diante de uma situação com reais possibilidades de vitória sobre o nosso adversário.

Serra significa a unidade partidária, o apoio das mais diversas tendências da política municipal e, com certeza, nos levará a uma retumbante vitória nas próximas eleições.

As prévias até podem ser realizadas (eis que perderam sua motivação) mas o nome de Serra deverá ser amplamente majoritário e o PSDB será sem dúvida o grande vencedor deste processo de amadurecimento democrático pelo qual passamos.

O futuro irá comprovar que o PSDB será outro partido (para melhor) após este rico e proveitoso momento.

Continuemos juntos

Por Andrea Matarazzo

Nos últimos meses conheci um novo PSDB. Um partido cheio de energia e com um grande número de filiados e militantes que pensam como nós. Um partido com ideais e com vontade de lutar por novas ideias, por uma nova forma de fazer política. Foi esta pré-campanha, a qual me possibilitou a oportunidade de ouvir e conversar com tanta gente de bem, que me fez sentir assim. Foi uma das coisas mais gratificantes de minha vida.

Durante sete meses visitei todos os diretórios do PSDB, alguns mais de uma vez. Fizemos mais de 160 encontros. Recebi o apoio de 6 dos 8 vereadores do partido, deputados estaduais e federais. Participei de todos os debates promovidos ou apoiados pelo diretório municipal do PSDB. Nesse período, poucas foram as noites ou fins de semana que deixei de partilhar, com entusiasmo e admiração, da companhia dos meus amigos de partido.

Apresentei minha trajetória, experiência, minhas idéias e soluções para São Paulo. Investi na unidade partidária e nas prévias como o melhor caminho para a escolha do nosso candidato. Fiz o que meu coração e minha cabeça mandaram: apostei na militância e na sua valorização como o único meio de fortalecimento do nosso partido. E foi a decisão acertada. A cada reunião, a cada encontro, a cada manifestação, mesmo de apoiadores dos outros pré-candidatos, crescia a convicção de que estávamos no caminho certo. Conseguimos demonstrar que o PSDB é o espelho de uma São Paulo que quer progredir, uma cidade que quer ser mais acolhedora e se preparar para o futuro; conseguimos energizar a militância, com chances reais de vitória nas prévias. O PSDB e sua militância estão hoje, certamente, maiores e mais fortes.

Neste final de semana, após consultar militantes, líderes partidários, vereadores e deputados que apoiavam essa jornada, retirei minha pré-candidatura em favor de José Serra. Uma decisão difícil, mas tomada com muita convicção. Para mim, candidatura não é e não pode ser um projeto pessoal. Não teria chegado onde cheguei sem o apoio de muitos. E a eles, a vocês, devo satisfações. A disputa pela prefeitura de São Paulo tornou-se uma questão política fundamental. A sobrevivência das oposições depende em grande parte do resultado das eleições na nossa cidade. O PT trabalha para ser um partido hegemônico, para acabar com qualquer oposiçao no país, e o PSDB é o único capaz de fazer frente a esse nefasto objetivo.

Hoje, José Serra é o nosso melhor nome para enfrentar a máquina lulopetista que tenta se instalar em São Paulo. Com a entrada de Serra nas prévias, precisamos unir esforços. Nenhum desejo pessoal, nenhuma rixa partidária, pode ser maior que a vontade de derrotar aqueles que atacam a democracia, que querem implantar um partido único em nosso país, que perdem ministros um atrás do outro a luz de todo tipo de denúncias. Além disso, lembro-me bem da São Paulo arrasada por uma gestão desastrosa no período que nos antecedeu na prefeitura.

Tenho com José Serra e, com o PSDB, firmes e antigos laços políticos. Reconheço sua experiência e sua capacidade como político e gestor. Como militante que sou, trabalharei incansavelmente por sua escolha nas prévias e depois na eleição.

Sou profundamente grato a todos vocês. E que fique claro: esta não é uma carta de despedida. Aqui, damos a largada a uma nova fase da disputa. Juntos, com Serra, nosso candidato nas prévias, e com Geraldo Alckmin vamos liderar a união das melhores forças da cidade de São Paulo contra o atraso.

Na política moderna, temos de ter posições claras, transparentes e permitir que as pessoas nos conheçam como realmente somos. Aos que chegaram comigo até este ponto da trajetória, um pedido: “continuemos juntos!”. São Paulo precisa dos nossos valores, do nosso entusiasmo, do nosso trabalho.

Muito obrigado.

Andrea Matarazzo

Filiação partidária voluntária: o mínimo para a democracia

Por Humberto Dantas

Entre os dados do site do Tribunal Superior Eleitoral e as pesquisas de opinião pública existe uma grande distância quando o assunto é filiação partidária. As informações oficiais, mantidas em termos percentuais sem grandes oscilações há anos, mostram que cerca de 10% dos eleitores brasileiros estão formalmente inscritos em alguma legenda. Por sua vez, pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizada pelo Instituto Vox Populi registrava 5% de filiação declarada em 2008. Como compreender tamanha inconsistência?

Em 2007, durante ciclo de debates sobre reforma política que participei como comentarista na Federação do Comércio de São Paulo utilizei o dado oficial para construir um argumento e arranquei risos de um influente deputado federal do Partido dos Trabalhadores. Em particular, ao término do evento, ele me confidenciou: “não queira saber como muitos desses cidadãos são filiados”. O assunto me incomodou.

Meses mais tarde, em conversa com um empresário amigo, compreendi melhor a realidade: “foi assim que eu comecei a enriquecer. Um velho político de São Paulo me pagava para eu filiar moradores de um condomínio de classe média na zona norte. Levei tanta gente pro PMDB que ele me deu um apartamento. Na data da convenção interna o combinado era levar esse povo para votar. Nele, é claro, que conquistou o partido”, confidenciou-me. Assim, em grande parte das vezes a corrida pela filiação não tem como tiro de partida o interesse espontâneo de um cidadão, mas sim aspectos clientelistas e capazes de gerar poder para quem detém, sob seus domínios, quantidade expressiva de votos capazes de alterar a lógica interna das legendas. Nesse universo, o que não faltam são os tradicionais laranjas.

Tal questão enfraquece o valor, por exemplo, da adoção de um sistema de lista fechada em eleições proporcionais em que a ordem dos candidatos fique a critério dos filiados. Isso sem falar nas listas de meros simpatizantes, que não são filiados, e legalmente devem concordar em abaixo-assinados com o surgimento de uma nova legenda. No documento do recém-criado PSD até mortos apareceram segundo a imprensa.

Outro gesto que perde sua legitimidade são as prévias partidárias para a escolha de candidatos. O PSDB, concentrado nesse movimento na cidade de São Paulo, sentiu na pele o fato de ter entre seus membros pessoas que sequer sabem da existência do partido ou do gesto de filiação. Reportagens veiculadas há algumas semanas atestam que diversos “associados” entrevistados não sabiam que faziam parte dos quadros da organização. Diante dos exemplos apresentados, é absolutamente possível compreender que a prática, disseminada nacionalmente entre os mais diferentes partidos, é um atestado do quanto estamos distantes da democracia como um valor cultural e cotidiano. Para vivê-lo precisamos destronar os reizinhos locais, que exploram a falta de conhecimento alheio, adicionando a seus pretensos capitais políticos a ignorância como sustentáculo de uma moeda danosa à vida das legendas.

Serra entra. Chalita sai?

Por Guilherme Bara

Mais uma vez, depois de negar incisivamente, José Serra confirma que será candidato à prefeitura de São Paulo.

Além de fortalecer o PSDB na corrida municipal, a entrada de Serra na disputa pode mexer em situações que eram dadas como definitivas na composição partidária para as eleições.

Com a sinalização de diversos partidos no sentido de fazer parte da coligação que dará sustentação à campanha do nosso recém-candidato, o PT vê o sinal vermelho acender e deve retomar a carga em cima do PMDB a fim de demover Gabriel Chalita de disputar as eleições. O objetivo é aumentar a aliança em torno do ex Ministro da Educação Fernando Haddad.

O momento é favorável para a carga petista, já que Chalita passa por momento turbulento com parte de sua equipe.

Quem esfrega as mãos é o presidente do PMDB, Michel Temer, que vê situação favorável para dar mais uma barganhada e abocanhar novos espaços no governo federal.

Outro partido que também deve ser colocado contra a parede é o PC do B, que tem Netinho de Paula como seu pré-candidato.

A idéia petista seria evitar uma desvantagem de Haddad no tempo de TV em relação ao tucano. Desta forma a eleição estaria, mais do que nunca, polarizada entre os dois partidos que vem rivalizando as principais disputas eleitorais.